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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Aos quase 4 anos...

- Mãe, hoje é amanhã.

- Não, filho, hoje é hoje e amanhã é amanhã.

- Mas, mãe, se hoje era amanhã, então hoje é amanhã!

Sim, o tempo é uma abstração complicada aos quase 4 anos...

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- Vc tá falando a verdade, filho?

- Mamãe, eu SEMPRE falo a verdade. Principalmente, não.

Sim, o domínio de novo vocabulário é complicado aos quase 4 anos...

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- Mamãe bonita, cara de... pudita!

Sim, é difícil encontrar rimas aos quase 4 anos....

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- Mãe, eu sou marciano pq eu nasci no março, né?

- Não, filho, vc nasceu EM março, no mês de março. E vc nasceu no Rio de Janeiro.

- Nãaaao, eu nasci no Bra-sil!

- Também. No país, Brasil, na cidade do Rio de Janeiro!

- O que é país?

- Errr, é um lugar muito grande que tem outros lugares dentro, como a cidade do Rio de Janeiro.

- O que é cidade?

Esse é o ponto em que a mãe muda de assunto, pq, sim, é muito difícil ensinar abstrações geográficas para crianças de quase 4 anos...

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domingo, 27 de janeiro de 2013

Inferno Astral

Sabe a hiena Hardy, daquele desenho muito antigo, que falava "Ó vida, ó azar". Pois é, sou eu atualmente. A astrologia explica isso como 'inferno atral', ou seja, aquele período que antecede sua data de aniversário.

Mas nunca, nunquinha mesmo eu vivi um inferno astral desses!!

Exatamente 20 dias antes da data, a descarga do banheiro prendeu. Eu chamei o bombeiro do prédio, que não estava. Mas apareceu na minha porta um de seus assistentes, acompanhado de outro assistente, dizendo que ia ver a descarga. Acreditei que o cara soubesse o que estava fazendo. Não sabia. Não desligou a água  e inundou meu apartamento. Após todo o pânico e trabalheira para tirar toda aquela água, sobrou avaliar os estragos. O chão do meu quarto ficou totalmente estufado, no móvel do banheiro não cabem mais as estufadas gavetas, os pés da minha mesinha de cabeceira abriu como um leque.

No dia seguinte, 19 antes da data, bati o carro (de leve) num táxi e ainda fiquei presa no elevador do Edifício Garagem Menezes Cortes.

No 18o dia antes da data, fiquei com minha mãe esperando atendimento no INSS por duas horas (nunca tinha demorado mais que meia hora!!) e, somente depois de duas pessoas já terem passado na nossa frente, descobri que nossa senha havia sido deletada pelo sistema, por motivo ignorado. Claro que fiz um barraco para ser atendida...

No 17o dia, sexta-feira, esqueci meu celular no trabalho. Consegui lembrar a tempo de pedir a um funcionário que o guardasse pra mim, mas vou ficar incomunicável durante o finds e terei que torcer para o aparelho ainda estar no armário quando for procurado.

No 16o dia, o mau humor já estava intolerável até para mim mesma, quando o aquecedor de água pifou de vez. Sendo sábado, conserto só na segunda. Pense numa pessoa que odeia água fria... sou eu.  Além disso, ainda houve uma briga séria com o marido nessa noite.

No 15o.dia, ou melhor, madrugada, aconteceu algo com o Enzo que nunca aconteceu antes: ele acordou molhado de xixi, foi pra minha cama e perdeu completamente o sono. Ficou das 3 às 5:30 para voltar a dormir, o que só aconteceu quando decidi colocá-lo de volta em sua cama, porque, na minha, não conseguiu mesmo!

No 14o. dia, o telefone fixo pifou.  E a minha faxineira que nunca faltou em 5 anos, não apareceu. Como estava sem celular e fiquei preocupada, cancelei o conserto do aquecedor para correr pro trabalho pegar o recado ou ligar pra ela.

Daí em diante, parece que a desgraceira arrefeceu... restou lidar com os estragos, os consertos...

Também tive que lidar os os "últimos dias". Último dia da minha esteticista no salão do lado do meu trabalho.  Último dia do Enzo na creche.

E, ainda falta lidar com a relação com o marido, que ficou bem arranhada... E ainda faltam uns 10 dias pro meu aniversário.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Complexos conflitos aos 3 anos

Eu pensava que os conflitos na primeira infância se resumiam ao "É meu", "Eu primeiro" e o trágico "Não sou mais seu amigo".  Acreditava em vínculos de amizade contínuos e fortes. Sabia das brigas mas as imaginavas sempre pelos prosaicos motivos de sempre, como a posse de um brinquedo.

Fui surpreendida nesse ano escolar do Enzo. Na verdade, desde meados do ano passado, quando o Lorenzo entrou na turma, muitas brigas ocorreram.  A diretora chegou a me dizer que eles disputavam a liderança da turma. Realmente, até então, Enzo era o líder. Simpático, era constantemente seguido pelos amiguinhos nos encontros da turma. Ele mesmo se incumbia da recepção dos amigos com abraços.

Mas Lorenzo era muito maior que o meu baixinho. E também queria o posto. Por azar, apaixonou-se pela mesma menina, a Lorena. Foi renegado por ela e culpou o Enzo, com quem já havia reparado que havia uma especial afinidade.

- Ela não quer casar comigo pq quer casar com o Enzo! - disse ele a sua mãe.

E os dois viraram cão e gato. Enzo não tinha discernimento suficiente sobre o que estava acontecendo, mas Lorenzo disse para a mãe, quando perguntado porque brigava tanto com o amigo de turma:

- Pq se eu ganhar do Enzo, eu ganho a turma!

Assustador, não? Tamanha complexidade nas relações aos 3 anos de idade...

Enzo perdeu a liderança, mas não acho que o Lorenzo tenha sido o único culpado. Sua postura foi tornando-se muito soberba.  Não raro o via desprezar quem o seguia. E raramente seguia alguém. Os grupos foram se formando, separando-se as meninas dos meninos.

O pobre Gabriel era seu saco de pancadas. Por ser mais sensível, levava foras e beliscões se ficasse muito perto e Enzo tivesse que despejar seu mau humor em alguém.

Enzo não parecia se importar de ser um 'lobo solitário'. Claro que também brincava no grupo, mas não formava vínculos especiais com ninguém.

Quer dizer, outro dia anunciou que estava namorando a Mariana, na frente da mãe dela, e justificou:

- É, não tem jeito, tenho que namorar ela!

Na nova escola ele terá a oportunidade de mostrar uma nova faceta. Provavelmente chegará mais humilde e terá que encarar novas lideranças de grupo. Talvez encontre um amigão pra levar pela vida toda. Eu, como mãe, só quero que ele seja feliz e se sinta querido onde estiver.


domingo, 6 de janeiro de 2013

Ele fala muito...

Uma das mais marcantes características do Enzo é que , além de agitado, ele fala muito. MUITO. Praticamente o tempo todo. Às vezes fala coisas inteligíveis, às vezes não, são palavras inventadas ou mesmo apenas sons. Outro dia, na fila do mercado, uma senhora perguntou ao Rodrigo:

- Ele fala assim desde que acorda?

Pois é. Fala. Como diz o pai, fala mais que a nêga do leite. Mais que pobre na chuva. Todo o tempo quer puxar assunto, embora outras vezes se satisfaça falando sozinho.

E, normalmente, fala alto. O volume não costuma ser proporcional à proximidade do interlocutor. Com isso, é fácil localizá-lo mesmo a alguma distância.

E gosta de inventar adjetivos. Cumprimenta pessoas acrescentando "sua lelezinha", "seu meleleco", sua "xeleleca" ou coisas parecidas. É uma mania particularmente constrangedora que estamos tentando fazer cessar.

Outra coisa que ele adora é ver-se no espelho. Se houver um espelho na hora em que tem que trocar de roupa ou escovar os dentes, temos que esperar pelo menos por uns 2 minutos de caretas, balançares de cabeça e braços e sons estranhos. Claro que esperamos na medida da nossa pressa e então começamos a engrossar, ou ficamos ali para sempre!

Outra coisa que ele faz, e que não é tão fofo assim é, quando não estamos dando a atenção devida, ele costuma chamar nossa atenção com meios bem desagradáveis. Encosta alguma parte 'ossuda' em nós (joelho, cotovelo, queixo, ombro, cabeça), com quem nada quer, e vai forçando até machucar. Se tem algo que eu detesto é isso!

Agora, com quase 4 anos, tem se recusado ao máximo a ver tv. Quer brincar ou passear o tempo todo e, como não tem irmãos, quer os pais brincando junto. Como não temos 4 anos, isso pode ser bem cansativo. Ele brinca muito pouco sozinho. Normalmente só alguns minutinhos e logo quer que participemos também. Mesmo com a babá, requer nossa presença, a não ser que ela esteja muito inspirada o entretendo.

Como é menino, gosta de brincar de lutinhas com bonecos (o que não é muito saudável para os dedos de quem está segurando um dos 'heróis'). Pique esconde, monstro ou lobo mau, teatrinhos. E haja disposição!




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Da mágica, da técnica e do contra!


Ao encontrar a mãe de coleguinha que também é repórter da Globo maquiando-se na entrada da escola:

- O que vc tá fazendo?

- Me maquiando pra ir pro trabalho.

- Vc trabalha dentro da minha televisão?

- (risos) Sim, eu entro todo dia na sua televisão, é uma mágica!

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Vários dias depois, no carro, perguntou ao pai:

- Pai, como a tia Bette faz pra aparecer dentro da minha tv?

O pai limpou a garganta para dar início a uma resposta técnica:

- Bom, uma pessoa filma ela com uma câmera, como as que temos, só que maior, aí faz um filme e....

Enzo interrompeu:

- Nãaaaaaaaaaao, nada disso!!

- Não? Então como é?

- Ela faz uma máaaaagica!!!

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Muitas semanas depois ele volta a perguntar ao pai:

- Pai, como a tia Bette entra na nossa televisão?

- Ela faz uma mágica?

- Nãaaaaaaaaaaaoooo, um moço filma ela!!!