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domingo, 22 de janeiro de 2012

O Parto - parte II

Aparentemente recebi uma dose de anestesia maior que a habitual. Fiquei MUITO grogue. Meus pensamentos eram lentos. O tipo de anestesia aplicada me fez perder toda a sensibilidade da cintura para baixo. Eu, que não esperava por isso, fiquei grande parte da cirurgia tentando apertar as nádegas ou mover as pernas, demorando muito para entender o que acontecia... Drogadaça mesmo.

Segundo a anestesista, essa dose majorada foi em função do aumento da pressão, para acalmar bastante e não provocar sangramentos maiores. Da mesma forma, a obstetra alertou ao marido, ao final da cirurgia, que os pontos estariam sendo feiosos, mas seriam mais potentes para conter o excesso no sangramento. Essas duas providências me confirmaram que a médica realmente acreditava numa alteração na pressão e que não tinha sido nenhum "esquema" para forçar a cesárea, como se poderia imaginar.

O marido ficou ao meu lado, segurando minha mão e filmando por trás do pano. Foi corajoso e carinhoso. Aliás, toda a equipe foi bastante carinhosa, falavam comigo, me acariciavam, embora eu estivesse mais "viajando" do que participando do evento no final das contas.

Quando, finalmente, tiraram o Enzo e eu vi aquele serzinho muito arroxeado na cabeça e extremidades, com pés enormes e finos, virados para cima, dedinhos quase tocando os joelhinhos, confesso que meu pensamento foi: "Fudeu, ele é aleijadinho!". Ainda tive alguma diplomacia para perguntar ao pediatra se estava tudo bem, se os pezinhos estavam direitinhos... O pediatra respondeu rindo que toda mãe quer saber sobre os dedinhos dos pés, o que me tranquilizou, porque se ele tivesse mesmo um problema, o homem não faria piadinhas.

Ocorre que o Enzo estava na mesma posição, encaixado na minha bacia, desde os 5 meses de gestação. Nas ultras, brincávamos que ele tava com a cabeça lá e perguntando "Já tá na hora? Posso sair?".  Mas a verdade é que ele cresceu com a carinha enfiada naquele osso e já não tinha muito mais como caber ali. Um dos olhinhos estava inchado e fechado de ter ficado comprimido naquele espaço e os pezinhos (bem grandinhos), com articulações muito flexíveis, ainda estavam meio 'dobradinhos'.

Apesar de tudo, quando ele veio para mim no quarto, eu o achei muito lindinho. Não foi o dia mais feliz da minha vida, como costuma se dizer. Foi um dia de alívio, de recomeço, de vitória, mas também de muito stress e preocupações. Apesar do cansaço da cirurgia, dormimos abraçados e eu o protegia a cada susto que ele sentia ao levantar os bracinhos e deparar-se com todo aquele espaço vazio.

Era meu, era para eu cuidar e eu gostava muito dele, tinha desejado-o muito.  Mas amar mesmo, apaixonar, só com o tempo... Naquele momento era para nos conhecermos melhor, na verdade, para nos apresentarmos um ao outro, tentarmos nos entender.

Por isso sou contra visitas em maternidade, com exceção de familiares realmente próximos. Esse é um momento entre os pais e o bebê, um importante primeiro encontro de uma relação que será para sempre!

sábado, 21 de janeiro de 2012

O Parto - parte I

Com o final da gravidez num escaldante verão, eu já não conseguia fazer quase nada. Um súbito aumento da dilatação com afinamento do colo antes da hora, me rendeu uma licença médica no fim de fevereiro (após o carnaval) que iria até o dia 12 de março, com bastante repouso e um remedinho "segura nenê". Como o bebê estava previsto apenas para o fim do mês, eu iria adiantar minhas férias a partir daí.

Mas na consulta médica semanal, exatamente no dia 12 de março, com 37 semanas, minha obstetra detectou um pico na pressão arterial.  Nunca tinha tido pressão alta na vida. Aliás, minha pressão é até normalmente baixa. Mas não me surpreende que tenha aumentado porque as condições eram totalmente favoráveis a isso!  Não só pelo calor, mas pela absoluta ansiedade que me dominava naquele momento. Presa em casa, enorme, desconfortável. Lembro que cheguei a perguntar à médica se não dava para tirar logo...

Havia uma ilusão de tentativa de parto normal, mas com a minha idade, em primeiro parto, sabia que era uma hipótese remota. A médica sempre dizia que, com a dilatação correta, no tempo correto, tentaria a indução, com ocitocina. Mas nessa altura do campeonato, eu queria era passar para a "fase" seguinte porque não aguentava mais. Não sou alguém que aguarde calmamente que 'o momento' se apresente. Sem controle da situação, eu fico muito tensa.

Nessa consulta ainda havia dilatação, coisa de dois dedos apenas. Mas como a pressão alta em grávidas é algo muito perigoso, ela me mandou pegar minha malinha e me internar no Hospital (São José), onde ela já me reservaria um quarto.  As recomendações eram ficar em jejum e ter a pressão controlada por lá até que ela chegasse à noite para decidir o que fazer.

Voltei para casa, chamei o marido no trabalho e fomos para o hospital cerca de 14h da tarde dessa quinta-feira. Fizemos a internação com toda calma, fomos para o quarto, coloquei minha camisola hospitalar, tiramos fotos, vimos tv.  A enfermagem mediu minha pressão e tudo estava normal.

Por volta das 20h da noite, a médica chegou.  Para minha surpresa, apesar de lhe dizer que não tinha mais tido alterações de pressão durante o dia, ela confirmou que eu entraria em cirurgia para cesárea de qualquer jeito, que a equipe já estava totalmente convocada e posicionada (2 obstetras, anestesista, instrumentadora, pediatra).

Ainda tentei cogitar da indução, mas ela refutou porque não poderia gerar esforço se minha pressão estivesse alta.

De qualquer maneira, só houve nova aferição já no centro cirúrgico, comigo com roupinha de cirurgia, olhando para as luzes do teto e deitada na maca. Nessas condições, não me admiraria que desse alteração... Bom, meu marido diz que viu o aparelho e, com seus limitados conhecimentos, não viu nada demais... Enfim, sempre vamos ficar nessa dúvida, mas eu confio bastante na minha médica e os acontecimentos que se seguiram me fazem crer na sua boa-fé.




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Fazendo a mamãe passar vergonha...

Dei carona para uma amiguinha e sua mãe na volta da escola. A mãe é surda, usa aparelho e fala até direitinho, mas de uma forma, digamos, diferente das pessoas que ouvem.
Enzo escuta a mulher falando e aponta pra ela dando gargalhadas:
- Ih, ela fala inglês!!! Ela fala inglês!! Que bobeira, falá inglês!!

Abre o chão que eu quero me esconder.
19/1/12

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A gravidez

Eu curti demais a minha gravidez. Nunca tinha achado mulher grávida bonita antes, mas todo mundo dizia que eu era uma grávida linda e eu me sentia assim.

O melhor da gravidez é a aura de simpatia que esse estado reflete. As pessoas te olham na rua com um sorriso no rosto, quase cumprimentando como se fossem velhos conhecidos. Há uma gentileza no ar. Diferentemente dos velhos e deficientes, parece que, para as grávidas, se tem até um certo prazer de dar lugar na fila ou na condução.

Se eu não tivesse passado por isso, não acreditaria. Mas é um tal de todos quererem te elogiar, perguntar e (essa não é tão legal) tocar...

Realmente, eu fui uma grávida bonita. Magrinha. A barriga só apareceu aos 5 meses. Discreta. Eu tinha que usar roupas largas e dar uma estufadinha quando queria usufruir de um benefício de prioridade.
Fazia drenagem toda semana, então não inchava.  Fazia o cabelo no salão, já que não podia passar alisantes, então estava sempre liso e reluzente. Aliás, meus cabelos, pele e unhas ficaram ótimos, fortíssimos e bonitos.

Quer dizer, a pele mais ou menos, pois apareceram umas sardas no colo (que sumiram quase todas) e uma granulação rosada nas bochechas (que jamais saiu, apesar de tratada).

Demorei umas 8 semanas para enjoar. Quando começaram, meus enjoos eram à tarde, normalmente. Primeiro, no início da noite, depois foram começando cada vez mais cedo. O único jeito de passarem era dormir. Esperava o marido chegar, às 18h, dava boa noite e dormia até o dia seguinte. Coisa de 15 horas seguidas... Vomitei umas 4 vezes só. E os enjoos se foram na 14a semana.

Marido tinha nojo dos vômitos, fugia. Viraram até piada (de mau gosto) suas estratégias de fuga. Uma vez, disse que não foi no banheiro porque não chamei seu nome, mas Huuuugo e Rauuuul...

Enfim, com o crescimento da barriga, vieram outros incômodos. Gases. Muitos gases. Aquela sensação de ar preso no peito que parece um ataque cardíaco. E câimbras, muitas caimbras. De acordar gritando no meio da noite.

E as noites deixaram de ser boas. Era muito xixi para fazer. Muita água no organismo e pouco espaço de bexiga. Sem falar na tradicional insônia do 7o. mês, que só pode ter a intenção de nos preparar para o que está por vir e querer matar todo mundo que vem te dizer: "Aproveita pra dormir agora, porque depois... hahaha"

Infelizmente, me contaram cedo demais que as grávidas deviam dormir viradas para um lado (nem lembro qual agora), sob pena de sufocar o feto. Foram quase todos os meses dormindo de um lado só. E acordando assustada para ver se tinha virado durante o sono. E isso dava ainda mais câimbras.

Quando a barriga fica realmente grande, é difícil andar, deitar, ficar sentada, de pé. Há um ser que se mexe lá dentro, se estica, empurra sua pele até o limite e ainda tem soluços.

Sim. soluços. Ninguém nunca me tinha dito isso, mas o meu filho tinha soluços unas 3 vezes ao dia. Normalmente começavam quando eu ia me deitar. Duravam cerca de 20 minutos. E não havia nada que se pudesse fazer para passar mais rápido.

Finalmente, tinha o calor. Meu filho nasceu em março, num verão especialmente quente. É como ter uma máquina de calor dentro de você e, ao mesmo tempo, estar dentro de um forno. O cansaço era enorme.
Dizem que gravidez não é doença, mas, com certeza, é uma condição análoga.  Eu pensava que bom seria botar um ovo que crescesse numa estufa, com temperatura controlada, cromoterapia e música ambiente. Se, pelo menos, as mulheres tivessem dominado a ciência nos últimos séculos, tenho certeza que já teríamos essa opção disponível...

Bom, mas a gravidez não é só isso! É o período em que você tem que organizar todo o enxoval da cria, comprar os móveis, pintar, decorar e montar o quarto, contratar a babá e/ou reservar a vaga na creche, fazer o curso de gestantes, ler toda a literatura possível sobre o tema e tentar entender minimamente, pelo menos, aquelas expressões antes desconhecidas como cueiro, camisa pagão, moisés, tummy tub, entre outras.

Isso tudo, comendo bem, as comidas certas, não aquelas porcarias deliciosas de antes, mas alimentos apropriados e nutritivos para aplacar aquele enorme vazio gelado em que se tornava meu estômago a cada 2 horas.

E fazer exercícios, claro. Como uma adorável sopa, digo, hidroginástica, naquela piscina quente com várias senhorinhas faladeiras da 3a idade que, ainda assim, faziam os exercícios de maneira mais ágil que eu.

E deve-se encontrar tempo para fazer 1000 exames todos os meses. Alguns bem bizarros, como tomar enormes quantidades de água açucarada para medição de glicose e outros adoráveis, como o ultrassom, quando se podia ver quem estava lá dentro de verdade. E dane-se que o expert holandês amigo do marido condenasse o ultrassom em grávidas! Por mim, fazia toda semana!

Sem esquecer jamais de tomar conta dos fundos das calcinhas a cada uma das 10000000 idas ao banheiro, para ver se não tinha nenhuma cor estranha que indicasse anormalidade por lá e contar quantas vezes sentiu o bebê mexer naquele dia, pra ter certeza de que estava tudo bem.

É uma loucura, eu sei. Mas sou extremamente grata ao destino (e ao marido), que me proporcionaram ter vivido tudo isso. Minha vida é mais completa por ter tido essa experiência. Valeu!


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Preparando os detalhes da festa de 3 anos

Faltam 2 meses, mas os detalhes da festa, começam a tomar forma.
Essa é a prova do convite e do lay out do bauzinho que terá moedinhas de chocolate e será o tesouro a ser buscado pelas crianças.
Tenho que providenciar ainda chapéus de pirata para os animadores e o banner com a foto do Enzo vestido de pirata que tiramos num estúdio fotográfico (SE alguma ficar boa, já que ele não estava com a menor paciência para isso no dia... ainda bem que comprei numa super promoção de compras coletivas, ou teria ficado MUITO arrasada).
Falta chegar o kit de pintura que será a lembrancinha.
No dia, levarei o DVD do Peter Pan, para ficar passando e dar o clima da estória.
Até agora, esses são os planos.
Hoje o Enzo disse que ia dar uma festa. Perguntei do tema e ele respondeu que teria muitos piratas e o Peter Pan e a Sininho. Então, quanto ao tema, so far so good!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tentando engravidar...


Já que falei dos exames de nomes feios, vou aproveitar para contar os detalhes desse périplo.

Primeiro descobri que tinha uma doença auto imune chamada Síndrome de Hashimoto. Isso significa que meus leucócitos acham que estão fazendo um grande trabalho atacando minha própria tireóide. Desta forma, em algum momento da minha vida, o estrago será tanto que terei que compensar com remédios para todo o sempre.
Saber uma coisa dessas é chocante. Mas, até agora, só tive maiores alterações durante a gravidez (quando todos os índices enlouquecem e tudo se altera), período em que tomei o remédio de compensação para o hipotiroidismo. Depois, normalizou e eu parei de tomar. E de ir ao endocrinologista, claro.
O pior é ter que tomar esse remédio em jejum, 20 min antes do café da manhã... Porque eu sou uma pessoa que pula direto da cama para a mesa. Esperar esse tempo todo é uma tortura!

Junto com essa descoberta veio outra, de que eu tinha uma alteração no exame da anticardiolipina. Tradução: problema de coagulação no sangue. Resultado: corria o risco de matar o feto por asfixia.
Enfim, um pensamento delicioso para qualquer gestante!
Para "afinar" o sangue, a recomendação era um comprimido de AS por dia.
Só que, durante a gravidez, esse índice se normalizou e a médica contra indicou o uso prolongado do AS. E eu pirei!  Por mais que ela dissesse que já tinha passado o período crítico, que ela tinha se informado com especialistas, que meu caso não oferecia perigo, imagine a neura dessa grávida?

(Parênteses: Lembra aquele post sobre motivos que me levavam a não engravidar de novo? Pois, coloque esses dois aí de cima nessa conta também!)

O último exame recomendado pela especialista em fertilidade tinha um nome bem comprido: histerossalpingografia.
Consistia em colocar um contraste de iodo no útero, enfiar um aparato da entrada das trompas até os ovários para constatar se haveria alguma aderência nessas paredes que impedisse o óvulo de passar.  Se fosse o caso, uma cirurgia poderia ser indicada para resolver o problema.
A preparação para o exame já incluía tomar 2 comprimidos para dor nas horas anteriores ao exame.
O exame começou pelo ovário esquerdo. Tudo bem. O aparato passou que foi uma beleza. Eu fui ao céu e voltei de tanta dor, porque, vou te contar, DÓI MUITO fazer esse exame.
Então fomos para o direito. Ela tentou a primeira vez. Como já tinha ido ao céu, fui direto para a estratosfera da dor, mas o negocinho não passou. A médica trocou então o aparato por outro, dizendo que deveria ser mais adequado ao meu formato físico. Fez de novo. Ultrapassei a estratosfera e entrei na via láctea da dor. As lágrimas escorreram. Devo ter gritado. Então a médica disse para eu aguentar firme, porque ela ia tentar uma última vez com outro instrumento.  Aparentemente, ela fez a cirurgia a sangue frio ali mesmo. Eu cheguei ao BIG BANG da dor, mas ela desintupiu minha trompa direita.
Saí dali cambaleante, fui para a recepção e, enquanto o marido foi pagar o exame, eu tomei mais uns 5 comprimidos para dor.
Só que a dor seguiu piorando. Muito. E eu quase desmaiei. Me levaram de volta para uma maca onde fiquei me contorcendo por mais uma meia hora. Segundo o médico que me atendeu, eu devia ser alérgica ao iodo e, como já tinha tomado muitos comprimidos, nada mais poderia ser me dado, só restando esperar a absorção pelo organismo.

Esse exame foi feito numa 4a feira. Na 6a levei o resultado na médica, que controlava minha ovulação naquele mês através do ultrassom. Viu que, naquele mês, eu ovularia exatamente pelo ovário direito, que tinha sido muito maltratado pelo exame, portanto, não via muitas chances de sucesso nessa oportunidade.

Mas dois dias depois, no máximo, meu melhor óvulo estava fertilizado pelo melhor espermatozóide e dali viria um embrião do mais fofo filhote do mundo!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As Marcianas

Quando decidi engravidar, entrei de cabeça nessa idéia. Procurei minha ginecologista em janeiro de 2008, fiz os testes de praxe, mas o positivo demorou mais do que eu imaginava.

Procurei então outra médica, especialista em fertilidade, e fiz exames mais profundos. Alguns resultados me assustaram. Descobri umas alterações de nomes estranhos e, como mulher conectada que sou, consultei o Dr. Google antes da consulta médica. Fui, então, apresentada a um site onde mulheres de todos os lugares do Brasil conversavam sobre técnicas para engravidar, resultados de exames, e se auto-denominavam como "treinantes".

Seguindo os "treinos", consegui meu positivo em meados de julho. A "fertilização" se deu entre 6, 7 de julho/08. A data de parto prevista (DPP) era 29 de março do ano seguinte.

A notícia de uma gravidez muda a vida de uma pessoa. Todos os interesses anteriores viram fumaça. A quantidade de dúvidas, medos e novos planos que passam a povoar sua mente são impressionantes. E não há outro assunto para uma grávida: todas se tornam monocórdicas e só querem falar sobre isso.

Bom, talvez não todas. Mas eu era assim. E encontrei minha tribo.

Havia um outro fórum para grávidas, que era dividido pela DPP (data provável do parto). Juntei-me, então, ao grupo de grávidas recentes, que teriam filhos em março de 2009. E passamos a nos chamar "Marcianas" e nossos bebês eram os "marcianinhos".

Esse encontro mudou minha vida social daí por diante. Até hoje, acredito que minhas amigas mais próximas sejam as que conheci virtualmente. É uma relação diária, uma família de pessoas das mais diversas origens e classes sociais, um exercício de convívio com a diversidade.

O grupo das grávidas passou para o fórum dos bebezinhos. Depois, para o de bebezões. Então, nos mudamos para um espaço vip, já que não havia mais espaço para nós na organização do site.

Hoje estamos juntas no Facebook, no msn, por e-mail e pessoalmente, nos encontrinhos regionais e encontrões nacionais. Somos mais de 40. Algumas já não mantém tanto contato, mas outras vieram depois do nascimento dos bebês e se agregaram ao grupo.

Falamos muito de crianças, claro. Tiramos dúvidas, dividimos informações, contamos gracinhas. Mas também desabafamos, damos e pedimos conselhos, contamos fofocas e até trocamos dicas sexuais. Amigas de verdade, como quaisquer outras que cresceram ou estudaram juntas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Filho único

Acabamos de chegar de Cabo Frio, onde fomos, além de passear um pouco, entregar as últimas coisas de bebê do Enzo para um amigo do marido que está "grávido".
Com isso, se foi aquele carrinho trombolhoso que ocupava minha sala. E também as últimas reminiscências do meu bebezinho, hoje já quase com 3 anos.
Verdade que eu já tinha me desfeito de todas as roupinhas, do berço, dos primeiros brinquedinhos. Sempre dizendo que não haveria outro bebê nessa casa. Mas entregar as últimas coisas dessa fase, marca o fim de uma era.

Por quê decidi não ter mais filhos? É uma longa história...

Nunca achei que fosse casar. Nunca achei que encontraria alguém capaz de me aturar ou que eu aturasse no longo prazo. Mas aconteceu. Nunca nos casamos formalmente, mas já são quase 5 anos de convivência.

Nunca achei que teria filhos. Imaginava-me adotando crianças após os 40 anos. Crianças de uma mesma família ou de etnia diferentes. Crianças a quem eu daria um futuro, sem precisar, imaginava eu, ter que entregar minha vida.

Mas surgiu o marido e, com ele, através dele ou, por causa dele, o desejo pelo filho biológico. Uma idéia que, talvez, sempre tivesse estado em mim, sem eu saber. Eu a agarrei com força. Aos 36 anos, com o relógio biológico começando a apitar, eu abracei apaixonadamente o plano. Fiz exames, calculei datas, me juntei a grupos de "treinantes" na internet para conseguir dicas. E quase 7 meses de tentativas depois, chegou ele. O positivo.

Meu filho nasceu quando eu já tinha 37 anos. Lindinho, perfeitinho, fofinho.

Não sei se estava mesmo preparada para isso naquele momento. Foi um choque a perda da liberdade. Da liberdade de ir no banheiro, quando se tem vontade. Da liberdade de comer, quando se tem fome ou de dormir quando se tem sono. Foi um choque. Tive um certo baby blues. Mais tarde descobri que acontece com muito mais mães do que se imagina.

O amor veio com o tempo, nunca foi algo automático. Nos conquistamos a cada dia até hoje. Às vezes nos irritamos profundamente. Pra depois morrermos de amores um pelo outro.

O primeiros anos foram osso. Após o fracasso na amamentação e os 3 meses de cólicas incessantes, a "síndrome da telesena" era o que me matava. Ser acordada praticamente de hora em hora acaba com qualquer um. É como uma forma de tortura. E ele odiava dormir. Essa parecia ser a tortura para ele: sentir sono.

Esse problema melhorou aos 7, 8 meses. Já não se desesperava para dormir, embora ainda acordasse muito à noite, já havia períodos de até 3 horas direto! E eu passei a revezar as noites com a babá, quando ele entrou para a creche, aos 8 meses e meio!

Só que aí vieram as viroses. Uma atrás da outra. Praticamente semana sim, semana não. Sempre 7 dias de molho, vômitos, diarréias, febres, negativa de ingerir qualquer alimentação, choro. Desespero.

Quando o inverno de 2010 chegou, as viroses espaçaram-se um pouco, para dar vez às alergias respiratórias. Demorei para entender a diferença entre elas e aprender a controlá-las. Somente aos 2 anos comecei a ter algum alívio com noites melhor dormidas, e alguns meses sem intercorrências de saúde.

Claro que nem tudo foram flores, depois de tantos problemas, o menino teve uma parada no crescimento. Reparei no carnaval de 2011 que os amigos estavam bem maiores que ele. Bem maiores. Constatei que entre outubro e março havia crescido meio cm. E o pai dele tem 1,89m!!! Teriam sido os corticóides? As viroses de repetição? Não sabemos ao certo, mas com o fim delas, ele retomou o crescimento. Ainda não se igualou à maioria dos colegas, mas vem crescendo 1 cm ao mês desde março e meu coração está mais calmo.

Nesse período, meu marido quis o segundo filho. Queria que tivessem pequena diferença, como ele e seu irmão, para serem parceiros de vida. Desesperei. Não havia a menor chance de conceder essa vontade a ele. Eu precisava chegar num ponto de tranquilidade para pensar em outro.

Minha única tentativa se deu em maio de 2011. Enzo com 2 anos e 2 meses. O início da fase mais tranquila, depois de tanta luta. Larguei a pílula e deixei acontecer no período fértil. Imediatamente depois, eu pirei. Pirei, enlouqueci. E se desse certo? Passar por tudo aquilo de novo? Como? Porque?

Minha piração foi tanta que fiquei 3 meses sem menstruar, sem estar grávida. Fiz todos os exames. Nenhuma alteração. Nunca havia acontecido. Só posso atribuir ao meu medo. Meu corpo me fez desistir.

Hoje meu marido não quer mais. Acha que a distância de idade é muito grande, que serão 2 filhos únicos. Ele comprou o barco e quer usufruir, o que não poderia fazer com outro bebezinho em casa. Eu quero viajar, passear com meu filho, curtir cada nova fase em sua plenitude. Não quero retroceder e esperar mais 2, 3 anos para voltar a viver a vida com alguma qualidade (isso se o outro bebê não viesse com algum problema pior).

Fui filha única e nunca senti falta de irmãos. Espero que meu filho também não sinta, porque ele vai ser filho único e eu acho que foi uma decisão imposta pelo destino, com a qual, não posso negar, estou bem satisfeita.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Tiradas I

- Mãe, bota o Pocoyo em inglês pra mim?
- E você lá sabe falar inglês, menino?
- Não... mas é o Pocoyo que vai falar!
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Depois de muito fritar na cama, ainda muito excitado com a lembrança de festas e brincadeiras do fim de semana:
- Mãe, me dá a pepeta?
- Mas, meu filho, vc não usa mais há tanto tempo (quase 2 semanas!)!
- Mas eu sou pequenininho ainda... Meus pés são grandes, minhas orelhas são grandes, mas eu sou pequeno. Quando eu olho vc lá em cima é tão alto que nem consigo ver direito...

Eu tenho um ator em casa. Que ganhou sua chupeta.

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Na saída da escola, resolveu subir na mureta. Chegou uma amiguinha e quis subir também. Veio outro amiguinho e não quis subir.
Enzo:
- Sobe!
- Não quero.
- Você quer, sobe!
- Não quero.
- Você quer! - e virou-se para mim e disse: - Dá um dinheiro pra ele que ele sobe!
(oi?)
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- Ai, meu filho, eu te aaaamo!
- Eu também, mamãe! Eu aaaaaaaaaaaaaaaaaamo o Enzo!

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Os pais conversam no carro e ele pergunta:
- O que vcs estão falando?
O pai responde, dando um "passa-fora"
- Estamos falando coisas aleatórias, Enzo.
E ele:
- Mas eu tava falando com a mamãe...