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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A gravidez

Eu curti demais a minha gravidez. Nunca tinha achado mulher grávida bonita antes, mas todo mundo dizia que eu era uma grávida linda e eu me sentia assim.

O melhor da gravidez é a aura de simpatia que esse estado reflete. As pessoas te olham na rua com um sorriso no rosto, quase cumprimentando como se fossem velhos conhecidos. Há uma gentileza no ar. Diferentemente dos velhos e deficientes, parece que, para as grávidas, se tem até um certo prazer de dar lugar na fila ou na condução.

Se eu não tivesse passado por isso, não acreditaria. Mas é um tal de todos quererem te elogiar, perguntar e (essa não é tão legal) tocar...

Realmente, eu fui uma grávida bonita. Magrinha. A barriga só apareceu aos 5 meses. Discreta. Eu tinha que usar roupas largas e dar uma estufadinha quando queria usufruir de um benefício de prioridade.
Fazia drenagem toda semana, então não inchava.  Fazia o cabelo no salão, já que não podia passar alisantes, então estava sempre liso e reluzente. Aliás, meus cabelos, pele e unhas ficaram ótimos, fortíssimos e bonitos.

Quer dizer, a pele mais ou menos, pois apareceram umas sardas no colo (que sumiram quase todas) e uma granulação rosada nas bochechas (que jamais saiu, apesar de tratada).

Demorei umas 8 semanas para enjoar. Quando começaram, meus enjoos eram à tarde, normalmente. Primeiro, no início da noite, depois foram começando cada vez mais cedo. O único jeito de passarem era dormir. Esperava o marido chegar, às 18h, dava boa noite e dormia até o dia seguinte. Coisa de 15 horas seguidas... Vomitei umas 4 vezes só. E os enjoos se foram na 14a semana.

Marido tinha nojo dos vômitos, fugia. Viraram até piada (de mau gosto) suas estratégias de fuga. Uma vez, disse que não foi no banheiro porque não chamei seu nome, mas Huuuugo e Rauuuul...

Enfim, com o crescimento da barriga, vieram outros incômodos. Gases. Muitos gases. Aquela sensação de ar preso no peito que parece um ataque cardíaco. E câimbras, muitas caimbras. De acordar gritando no meio da noite.

E as noites deixaram de ser boas. Era muito xixi para fazer. Muita água no organismo e pouco espaço de bexiga. Sem falar na tradicional insônia do 7o. mês, que só pode ter a intenção de nos preparar para o que está por vir e querer matar todo mundo que vem te dizer: "Aproveita pra dormir agora, porque depois... hahaha"

Infelizmente, me contaram cedo demais que as grávidas deviam dormir viradas para um lado (nem lembro qual agora), sob pena de sufocar o feto. Foram quase todos os meses dormindo de um lado só. E acordando assustada para ver se tinha virado durante o sono. E isso dava ainda mais câimbras.

Quando a barriga fica realmente grande, é difícil andar, deitar, ficar sentada, de pé. Há um ser que se mexe lá dentro, se estica, empurra sua pele até o limite e ainda tem soluços.

Sim. soluços. Ninguém nunca me tinha dito isso, mas o meu filho tinha soluços unas 3 vezes ao dia. Normalmente começavam quando eu ia me deitar. Duravam cerca de 20 minutos. E não havia nada que se pudesse fazer para passar mais rápido.

Finalmente, tinha o calor. Meu filho nasceu em março, num verão especialmente quente. É como ter uma máquina de calor dentro de você e, ao mesmo tempo, estar dentro de um forno. O cansaço era enorme.
Dizem que gravidez não é doença, mas, com certeza, é uma condição análoga.  Eu pensava que bom seria botar um ovo que crescesse numa estufa, com temperatura controlada, cromoterapia e música ambiente. Se, pelo menos, as mulheres tivessem dominado a ciência nos últimos séculos, tenho certeza que já teríamos essa opção disponível...

Bom, mas a gravidez não é só isso! É o período em que você tem que organizar todo o enxoval da cria, comprar os móveis, pintar, decorar e montar o quarto, contratar a babá e/ou reservar a vaga na creche, fazer o curso de gestantes, ler toda a literatura possível sobre o tema e tentar entender minimamente, pelo menos, aquelas expressões antes desconhecidas como cueiro, camisa pagão, moisés, tummy tub, entre outras.

Isso tudo, comendo bem, as comidas certas, não aquelas porcarias deliciosas de antes, mas alimentos apropriados e nutritivos para aplacar aquele enorme vazio gelado em que se tornava meu estômago a cada 2 horas.

E fazer exercícios, claro. Como uma adorável sopa, digo, hidroginástica, naquela piscina quente com várias senhorinhas faladeiras da 3a idade que, ainda assim, faziam os exercícios de maneira mais ágil que eu.

E deve-se encontrar tempo para fazer 1000 exames todos os meses. Alguns bem bizarros, como tomar enormes quantidades de água açucarada para medição de glicose e outros adoráveis, como o ultrassom, quando se podia ver quem estava lá dentro de verdade. E dane-se que o expert holandês amigo do marido condenasse o ultrassom em grávidas! Por mim, fazia toda semana!

Sem esquecer jamais de tomar conta dos fundos das calcinhas a cada uma das 10000000 idas ao banheiro, para ver se não tinha nenhuma cor estranha que indicasse anormalidade por lá e contar quantas vezes sentiu o bebê mexer naquele dia, pra ter certeza de que estava tudo bem.

É uma loucura, eu sei. Mas sou extremamente grata ao destino (e ao marido), que me proporcionaram ter vivido tudo isso. Minha vida é mais completa por ter tido essa experiência. Valeu!


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