Com o final da gravidez num escaldante verão, eu já não conseguia fazer quase nada. Um súbito aumento da dilatação com afinamento do colo antes da hora, me rendeu uma licença médica no fim de fevereiro (após o carnaval) que iria até o dia 12 de março, com bastante repouso e um remedinho "segura nenê". Como o bebê estava previsto apenas para o fim do mês, eu iria adiantar minhas férias a partir daí.
Mas na consulta médica semanal, exatamente no dia 12 de março, com 37 semanas, minha obstetra detectou um pico na pressão arterial. Nunca tinha tido pressão alta na vida. Aliás, minha pressão é até normalmente baixa. Mas não me surpreende que tenha aumentado porque as condições eram totalmente favoráveis a isso! Não só pelo calor, mas pela absoluta ansiedade que me dominava naquele momento. Presa em casa, enorme, desconfortável. Lembro que cheguei a perguntar à médica se não dava para tirar logo...
Havia uma ilusão de tentativa de parto normal, mas com a minha idade, em primeiro parto, sabia que era uma hipótese remota. A médica sempre dizia que, com a dilatação correta, no tempo correto, tentaria a indução, com ocitocina. Mas nessa altura do campeonato, eu queria era passar para a "fase" seguinte porque não aguentava mais. Não sou alguém que aguarde calmamente que 'o momento' se apresente. Sem controle da situação, eu fico muito tensa.
Nessa consulta ainda havia dilatação, coisa de dois dedos apenas. Mas como a pressão alta em grávidas é algo muito perigoso, ela me mandou pegar minha malinha e me internar no Hospital (São José), onde ela já me reservaria um quarto. As recomendações eram ficar em jejum e ter a pressão controlada por lá até que ela chegasse à noite para decidir o que fazer.
Voltei para casa, chamei o marido no trabalho e fomos para o hospital cerca de 14h da tarde dessa quinta-feira. Fizemos a internação com toda calma, fomos para o quarto, coloquei minha camisola hospitalar, tiramos fotos, vimos tv. A enfermagem mediu minha pressão e tudo estava normal.
Por volta das 20h da noite, a médica chegou. Para minha surpresa, apesar de lhe dizer que não tinha mais tido alterações de pressão durante o dia, ela confirmou que eu entraria em cirurgia para cesárea de qualquer jeito, que a equipe já estava totalmente convocada e posicionada (2 obstetras, anestesista, instrumentadora, pediatra).
Ainda tentei cogitar da indução, mas ela refutou porque não poderia gerar esforço se minha pressão estivesse alta.
De qualquer maneira, só houve nova aferição já no centro cirúrgico, comigo com roupinha de cirurgia, olhando para as luzes do teto e deitada na maca. Nessas condições, não me admiraria que desse alteração... Bom, meu marido diz que viu o aparelho e, com seus limitados conhecimentos, não viu nada demais... Enfim, sempre vamos ficar nessa dúvida, mas eu confio bastante na minha médica e os acontecimentos que se seguiram me fazem crer na sua boa-fé.
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