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sábado, 25 de novembro de 2017

Nossa viagem ao Atacama - Centrinho e Tour Astronômico

Devidamente instalados, tínhamos que ir ao Centro pagar pelo Tour Astronômico, único que tinha deixado reservado com antecedência.

Então, seguimos para o Centrinho.  Logo na entrada, há um estacionamento municipal gratuito que sempre tinha muitas vagas disponíveis.  Logo em seguida, se abre uma linda praça principal, onde ficam escritórios da prefeitura, centro de atendimento de visitantes e um grande galpão onde funciona a feira de artesanato.

Essa praça é o único local verde e arborizado da cidade!

Tem wifi disponível e sempre tem artistas se apresentando por lá

Restaurante da praça: não comemos lá nesse dia, porque tinha uma apresentação
muito barulhenta acontecendo, mas voltamos para experientá-lo em outros dias.
Pegamos nossos mapinhas no Centro de Informações Turísticas
E já aproveitamos para comprar uns presentinhos na feirinha!
Na maior parte, vende-se o artesanato típico dos indígenas latino americanos




Há coisas bem bonitinhas!

E há coisas um tanto diferentes...rs
Rica-rica é a erva que ajuda ao estômago, baixa o colesterol, resfriados
 e tempera o Pisco Sour!
E as famosas folhas de coca, para o mal de altitude. Compramos apenas em
forma de balinhas de caramelo, mas não sei se fez algum efeito não.  Na verdade,
não sentimos nenhum sintoma do mal de altitude! Ainda bem!
Depois, fomos passear pela rua principal, a Caracoles.

Aqui, as casas ou são brancas, ou de adobe.
As placas de madeira com o nome do estabelecimento e a bandeira chilena
também são características locais

Encontramos o Spaceobs, onde tínhamos reserva para o tour astronômico.
Pagamos e acertamos os detalhes do tour.  Em outro golpe de sorte, o tour estava
confirmado, já que nos dias anteriores havia sido cancelado por razões meteorológicas.


Com todo aquele calor, era difícil sentir fome, então entramos para uma
refeição ligeira no Barros Café. Fraco.

O crepe estava cheio demais de pedaços grandes de frango e a quiche, queimada.
Mas os sucos lá são feitos da fruta, na hora, e muito bons!

 Na volta, ainda passamos pela igrejinha de adobe, que fica ao lado da praça principal.





 A essa altura, eu já começava a notar que que o princípio de sinusite com que saíra do Rio não estava reagindo bem com o carpete do primeiro hotel e, principalmente, com aquela poeirinha vermelha e seca que se desprendia do chão dessa cidade!

Voltamos ao hotel para nos equipar com roupa de frio intenso, já que o tour astronômico aconteceria tarde da noite (o ônibus passaria para nos pegar às 20h ali perto da loja deles) e a previsão de volta era após as 23h30. Portanto, tratando-se de deserto, de dia tínhamos em torno dos 30o Celsius, mas na madrugada podia baixar para menos que 0 grau!

O Atacama é o melhor lugar do mundo para observação espacial, pois conjuga as 3 melhores condições: baixa luminosidade, baixa poluição e baixa umidade.  Esta última é a mais importante, pois impede a "aberração", fenômeno físico que  distorce as imagens.

Realmente, tivemos a oportunidade de ver um céu tão estrelado, que dificilmente seria possível ver em outro local. Um grande espetáculo!

Por essa razão o Atacama está repleto de observatórios que fazem esse tipo de tour. Há vários preços, distâncias e ocorrem em várias línguas. Crianças eram permitidas, mas ninguém foi louco o bastante para levar ( eu ia, ainda bem que não levei!)

Nosso tour da Spaceobs custou uns 35 dólares por pessoa e era em português, com um guia chamado Danilo, que pareceu ser um astrônomo muito dedicado e com domínio do tema.  Tem um discurso muito interessante e saímos dessa oportunidade muito mais instruídos do que chegamos, com certeza, embora com tanta novidade, a maior parte acabe se perdendo no cérebro algumas horas depois...

Infelizmente, não há como tirar fotos dessa atração. Ficamos ao ar livre, apenas sob a luz das estrelas (nem luar tinha, pois era lua nova!) e não é permitido usar o flash.

Primeiro somos levados a um pavilhão onde há 10 telescópios de tipos diversos apontados para os céus. O guia fala de cada um dos corpos celestes que estão 'na mira', o que leva cerca de uma hora. São planetas, estrelas jovens, estrelas velhas, galáxias, conjuntos de estrelas, nebulosas...  Depois, haja memória para lembrar qual telescópio está virado para onde! Apenas após todas as explicações é que disponibilizam um tempo para que todos no tour possam examinar cada um dos telescópios.

Sinceramente, a explicação é mais interessante que a visualização. Pensei que fosse ver os objetos do tamanho de uma bola de sinuca, mas o que vemos é equivalente a metade de um grão de arroz... Ainda assim, ficam mais 'destacadas' da multidão de luzes do céu e um tantinho mais nítidas.

Depois disso, temos outra aula específica sobre constelações, onde o cientista faz questão de derrubar o mito da influência zodiacal dos signos, para desespero de algumas aficcionadas! Mas a exposição é ótima e explica desde a origem do zodíaco no Séc. II, com o astrônomo grego Ptolomeu, que dividiu as 13 constelações pelas quais passa a eclíptica, ou seja, a trajetória do sol no céu.

A supressão da constelação de serpentário (por ter pouco apelo comercial), a invenção da influência dos signos incitada pelo movimento ocultista inglês do séc. XIX e sua atribuição a datas que não tem reflexo no céu real, além da popularização do horóscopo após a publicação do 'mapa astral' da Princesa Margareth, nos anos 1930, são realmente argumentos difíceis de refutar para quem gosta do assunto.

Então, se astrologia é algo importante para você, melhor pular esse passeio para não se aborrecer! :)

Ao final, nos reunimos em uma casa, para tomar uma xícara de chocolate quente ou chá (de coca, inclusive) e fazermos perguntas antes de nos despedir.

Eu perguntei sobre OVNIS, mas o guia garantiu nunca ter visto nenhum, embora não tenha dúvidas da existência de algum tipo de vida extraterrestre.

Voltamos para casa e minha sinusite já estava totalmente instalada! Pioraria diariamente pelos próximos dias, pois, apesar dos cuidados medicamentosos que tinha levado (sem corticóides, infelizmente), os dias respirando aquela poeirinha iam me deixando cada vez mais sufocada!






















Nossa viagem ao Atacama - Hostal Pueblo de Tierra

Hotéis em San Pedro de Atacama não são baratos.  Os mais chiques, que tem os passeios incluídos e serviço diferenciado, tem preços absolutamente absurdos mesmo em comparação com os resorts brasileiros!  Os medianos, muitas vezes não tem quartos triplos ou se localizam fora do centrinho.  Como, quando reservamos, precisávamos de um quarto bom para 3 pessoas, por um preço razoável, acabamos abrindo mão da proximidade com o Centro e optando pelo aluguel de carro, que também nos baratearia o traslado do aeroporto e alguns passeios mais próximos.

Logo de cara nos encantamos pelo Hostal Pueblo de Tierra. As fotos, que são muito fiéis ao que encontramos, mostravam uma pousada rústica, mas com muito bom gosto e acolhimento, a cara de Atacama!

Quando decidimos que o Enzo não iria mais conosco, pensei em trocar por um hotel mais perto do Centro, com um estilo mais romântico, mas já não dava mais para cancelar. Entretanto, ficamos bem instalados, longe do barulho e do buxixo noturno.

O carro, deixávamos na rua mesmo, sem problemas. O hotel está sendo ampliado e terá um estacionamento, mas como estava em obras ainda, só nos deixavam estacionar por lá durante as noites. Como o local era bem seguro, normalmente deixamos mesmo na rua.

Se eu tivesse que ter feito o trajeto ao Centro à pé, no calor do dia ou no frio da noite, não sei se teria gostado tanto... Dizem que são 10-15 minutos andando, mas de carro são apenas 2-3. Parece que o hotel fornece bicicletas, mas não procurei saber.


Piscina aquecida e decoração típica em adobe

Detalhes, muitos detalhes
Até toalhas para a piscina eram disponibilizadas à vontade
Os quartos não tem frigobar, mas há uma geladeira coletiva para os hóspedes
guardarem suas coisas, e outra, onde podem retirar a bebida e deixar o dinheiro
a qualquer hora do dia ou da noite! Coisa de gente honesta e confiante, adorei!
Há um pequeno terraço com vista e uma pequena lanchonete
 Vista do terraço:





Menu da lanchonete:

Só achei o sanduíche um tantinho exagerado! rs
Área de convivência dos hóspedes
O quarto, originalmente reservado para 3, servia para 5 pessoas! Quartos familiares para 5 são uma raridade!

Cama ótima!

3 outras camas de solteiro no mezzanino
Banheiro pequeno, mas funcional com metais
super novos e água abundante!

O quarto tinha tv, umidificador de ar, ventilador, aquecedor e ar condicionado!
Um luxo de apetrechos que não vi listados em outros hotéis!
O wifi tb funcionou maravilhosamente, o que também é raro por lá...

Sala de café da manhã

Desayuno muito bom, tudo organizado e limpíssimo

E esses doces... o que dizer?

Meu lindo sanduba de pan amassado y palta!

Na mesma rua, havia um mercadinho (da Karlita) e uma lanchonete, onde, acredito, eram fabricados os maravilhosos doces servidos no café da manhã do hotel:


Para me livrar da culpa, lia sempre essa placa!

Hora de sair para a exploração!




quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Nossa viagem ao Atacama - Chegando a Santiago

Queridos leitores, desde já aviso que esse é um relato cheio de emoções e perrengues! Enzo se livrou de umas boas furadas quando decidiu ficar em casa! Claro que nem tudo foram espinhos, mas poucas vezes me lembro de ter estado em uma viagem tão conturbada!

Para começar, compramos nossas passagens com milhas pela LATAM para Santiago (17 mil, cada) e pagamos mais 200 reais por trecho para Calama.  Com a desistência do Enzo, conseguimos reaver as milhas, mas não o dinheiro... Mas, tudo bem, não choramos o leite derramado! Depois de meses tentando tomar essa decisão, finalmente estávamos confortáveis e assumimos o prejuízo com a convicção de ter sido a melhor coisa a fazer!

Pelo menos viajamos confortavelmente, com uma poltrona vazia entre nós, o que ajuda muito em um avião com poltronas tão apertadinhas, que nem telas ou carregadores tinham!  Sorte que levamos nossos Ipads com o app deles, onde pudemos ter acesso a alguns filmes.

Passando pelas Cordilheiras

Chegando a Santiago foi muito fácil encontrar o balcão da Transvip e pedir o ticket do traslado para o Hotel Diego de Almagro Aeroporto, cujo valor está incluído na diária. O hotel é relativamente barato e o fato de ter transfer incluído melhora bastante o custo benefício! (Vale lembrar que, se não fosse assim, valeria mais ficar no Hollywood Inn, que fica do outro lado da rua do aeroporto, mas que é mais caro.)

Logo na saída, muitas vans para traslados dessa empresa
O hotel fica próximo ao aeroporto, numa área bastante deserta. Trata-se de um hotel de trânsito e somente se presta a isso.  Sua decoração é bem antiquada, mas o quarto é confortável e limpo.


 A única coisa injustificável é a manutenção desse carpete velho e manchado! Um veneno para alérgicos! Aliás, nesse mesmo dia, minha sinusite, que já estava meio atacada, começou a piorar... Mal sabia eu do que me esperava no Atacama!



Mas como o trabalho de 'pais' não termina com a
distância, ainda estudamos com o Enzo para a prova de
Matemática pelo Whatsapp!

O café da manhã é servido desde as 4h e é razoável. No restaurante, o serviço de jantar é lento e  estava faltando até água sem gás no restaurante... Em compensação, comi ali um salmão com molho de alho poró memorável!

O transfer para o aeroporto também é providenciado pelo hotel com uma van própria, com saídas a cada meia hora, que funciona muito bem.

Saímos mais cedo do hotel e acabamos sendo encaixados em um voo que saía uma hora antes para Calama, o que acabou sendo uma sorte enorme, já que o nosso voo acabou sendo cancelado!

CALAMA

O aeroporto de Calama fica no meio do deserto e estava uma loucura, com filas e
reclamações por conta do cancelamento do voo seguinte! 

Tivemos que esperar por uma hora que chegasse o nosso carro alugado pela Europcar,
pois, achando que não iríamos embarcar no voo cancelado, não agilizaram a vinda do veículo...
Enfim, só uma amostra dos problemas que essa empresa nos traria!

E ainda nos colocaram no carro errado!! Quando já estávamos saindo, que o funcionário notou o erro..
Então, finalmente, nos entregou nosso Peugeot e pudemos seguir viagem. O carro era bem novo, mas
muito mais frágil do que seria recomendável para esse local, como notamos mais tarde...

A cidade de Calama fica próxima ao aeroporto e tem porte médio. Na volta, a conhecemos
melhor, já que tivemos que dar muitas voltas para encontrar um posto de gasolina aberto,
em razão das eleições que ocorriam naquele dia.
E lá fomos nós!

Por grande parte do caminho, nossa única companhia são os geradores de energia eólica.
Muitos "cataventos" gigantes!

Também há muitas placas pelo caminho, é bem sinalizado.

E a imensidão do deserto se abre à nossa frente!

No caminho, um mirador da Cordilheira de Sal

No próximo post: nossa chegada a San Pedro de Atacama!