Acabamos de chegar de Cabo Frio, onde fomos, além de passear um pouco, entregar as últimas coisas de bebê do Enzo para um amigo do marido que está "grávido".
Com isso, se foi aquele carrinho trombolhoso que ocupava minha sala. E também as últimas reminiscências do meu bebezinho, hoje já quase com 3 anos.
Verdade que eu já tinha me desfeito de todas as roupinhas, do berço, dos primeiros brinquedinhos. Sempre dizendo que não haveria outro bebê nessa casa. Mas entregar as últimas coisas dessa fase, marca o fim de uma era.
Por quê decidi não ter mais filhos? É uma longa história...
Nunca achei que fosse casar. Nunca achei que encontraria alguém capaz de me aturar ou que eu aturasse no longo prazo. Mas aconteceu. Nunca nos casamos formalmente, mas já são quase 5 anos de convivência.
Nunca achei que teria filhos. Imaginava-me adotando crianças após os 40 anos. Crianças de uma mesma família ou de etnia diferentes. Crianças a quem eu daria um futuro, sem precisar, imaginava eu, ter que entregar minha vida.
Mas surgiu o marido e, com ele, através dele ou, por causa dele, o desejo pelo filho biológico. Uma idéia que, talvez, sempre tivesse estado em mim, sem eu saber. Eu a agarrei com força. Aos 36 anos, com o relógio biológico começando a apitar, eu abracei apaixonadamente o plano. Fiz exames, calculei datas, me juntei a grupos de "treinantes" na internet para conseguir dicas. E quase 7 meses de tentativas depois, chegou ele. O positivo.
Meu filho nasceu quando eu já tinha 37 anos. Lindinho, perfeitinho, fofinho.
Não sei se estava mesmo preparada para isso naquele momento. Foi um choque a perda da liberdade. Da liberdade de ir no banheiro, quando se tem vontade. Da liberdade de comer, quando se tem fome ou de dormir quando se tem sono. Foi um choque. Tive um certo baby blues. Mais tarde descobri que acontece com muito mais mães do que se imagina.
O amor veio com o tempo, nunca foi algo automático. Nos conquistamos a cada dia até hoje. Às vezes nos irritamos profundamente. Pra depois morrermos de amores um pelo outro.
O primeiros anos foram osso. Após o fracasso na amamentação e os 3 meses de cólicas incessantes, a "síndrome da telesena" era o que me matava. Ser acordada praticamente de hora em hora acaba com qualquer um. É como uma forma de tortura. E ele odiava dormir. Essa parecia ser a tortura para ele: sentir sono.
Esse problema melhorou aos 7, 8 meses. Já não se desesperava para dormir, embora ainda acordasse muito à noite, já havia períodos de até 3 horas direto! E eu passei a revezar as noites com a babá, quando ele entrou para a creche, aos 8 meses e meio!
Só que aí vieram as viroses. Uma atrás da outra. Praticamente semana sim, semana não. Sempre 7 dias de molho, vômitos, diarréias, febres, negativa de ingerir qualquer alimentação, choro. Desespero.
Quando o inverno de 2010 chegou, as viroses espaçaram-se um pouco, para dar vez às alergias respiratórias. Demorei para entender a diferença entre elas e aprender a controlá-las. Somente aos 2 anos comecei a ter algum alívio com noites melhor dormidas, e alguns meses sem intercorrências de saúde.
Claro que nem tudo foram flores, depois de tantos problemas, o menino teve uma parada no crescimento. Reparei no carnaval de 2011 que os amigos estavam bem maiores que ele. Bem maiores. Constatei que entre outubro e março havia crescido meio cm. E o pai dele tem 1,89m!!! Teriam sido os corticóides? As viroses de repetição? Não sabemos ao certo, mas com o fim delas, ele retomou o crescimento. Ainda não se igualou à maioria dos colegas, mas vem crescendo 1 cm ao mês desde março e meu coração está mais calmo.
Nesse período, meu marido quis o segundo filho. Queria que tivessem pequena diferença, como ele e seu irmão, para serem parceiros de vida. Desesperei. Não havia a menor chance de conceder essa vontade a ele. Eu precisava chegar num ponto de tranquilidade para pensar em outro.
Minha única tentativa se deu em maio de 2011. Enzo com 2 anos e 2 meses. O início da fase mais tranquila, depois de tanta luta. Larguei a pílula e deixei acontecer no período fértil. Imediatamente depois, eu pirei. Pirei, enlouqueci. E se desse certo? Passar por tudo aquilo de novo? Como? Porque?
Minha piração foi tanta que fiquei 3 meses sem menstruar, sem estar grávida. Fiz todos os exames. Nenhuma alteração. Nunca havia acontecido. Só posso atribuir ao meu medo. Meu corpo me fez desistir.
Hoje meu marido não quer mais. Acha que a distância de idade é muito grande, que serão 2 filhos únicos. Ele comprou o barco e quer usufruir, o que não poderia fazer com outro bebezinho em casa. Eu quero viajar, passear com meu filho, curtir cada nova fase em sua plenitude. Não quero retroceder e esperar mais 2, 3 anos para voltar a viver a vida com alguma qualidade (isso se o outro bebê não viesse com algum problema pior).
Fui filha única e nunca senti falta de irmãos. Espero que meu filho também não sinta, porque ele vai ser filho único e eu acho que foi uma decisão imposta pelo destino, com a qual, não posso negar, estou bem satisfeita.
Nenhum comentário:
Postar um comentário