Parecia que tudo conspirava a favor da nossa escolha. Consegui uma vaga em uma das reuniões prévias de pais ainda em maio. Voltamos de viagem da Europa no sábado exatamente antes do dia do início das inscrições. Encontrei uma mãe conhecida na fila e consegui "furar" várias posições na fila enorme que já encontrei às 7:30 da manhã.
Como as informações dadas indicavam que o desempate se daria pela ordem de chegada - excluídas as preferências de filhos de ex alunos e irmãos de alunos - a confiança cresceu.
Até dei uma 'falsificada básica' (sem nenhum dolo!) no relatório da creche, para garantir que os 'defeitos' do Enzo fossem jogados mais para o final do texto, vez que a professora havia feito o desserviço de enfatizá-los logo nos primeiros parágrafos.
Levei-o para a entrevista pessoal num dia de bom humor. Ele se mostrou alegre, cheio de vivacidade e curiosidade. A avaliadora parecia encantada por ele. É certo que ainda não sabia bem segurar no lápis de cor e que as linhas ficaram fracas demais, pois sua coordenação motora ainda estava em desenvolvimento e, por orientação da escola, não estávamos fazendo nenhum trabalho específico quanto a isso.
Mas tivemos esperanças fortes. Mudaria nossa vida; o horário das nossas ajudantes; as atividades extracurriculares teriam que ser buscadas nas redondezas; teríamos que servir almoço e jantar todos os dias; o banho seria dado em casa. Mas compensaria por tirar de nós o peso de ter que conseguir uma escola no ano seguinte, quando a competição seria ainda mais acirrada.
Só que não deu. No dia do resultado só soubemos que haviam 43 candidatos (supostamente eram 12 vagas) e que a classificação se dera de acordo com o desempenho na entrevista. Nada de ordem de chegada. Nada de informação quanto ao lugar ocupado na fila de espera.
Meu coração ficou devastado. Me senti culpada por não ter tentado o Colégio alemão, não ter preenchido o formulário. Tudo bem que voltamos da Alemanha um tanto chocados com as diferenças culturais e mais chocada ainda fiquei quando soube das "luvas" de 12 mil que teria que pagar...
Minha pior dor é de pensar que posso não conseguir dar uma educação de primeira para o meu filho. Posso pagar, mas posso não conseguir colocá-lo num colégio bom de verdade. Além disso, me dói pensar na tortura de submetê-lo a diversas avaliações no próximo ano - quando ele já vai entender melhor o processo e pode angustiar-se com isso.
Por fim, me corrói a dúvida de se há esperança nesses exames, visto que não tenho qualquer indicação, e o Enzo, sendo marciano, e permanecendo a linha de corte em março, sempre será um dos mais novos entre os avaliados, concorrendo com meninos nascidos em abril do ano anterior, o que nessa faixa etária, provoca uma diferença abissal.
Desolada.
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