Caio aprecia as regras e as segue, como uma 'maria vai com as outras', como diz sua mãe.
Enzo só aceita regras na primeira etapa das brincadeiras. Na rodada seguinte, começa a subvertê-las, a inventar suas próprias novas regras, deixando os participantes ou animadores em cheque.
Caio não parece inclinado à liderança, é tímido e prefere seguir brincadeiras mais organizadas.
Enzo gosta de impor suas vontades, gosta de liderar a bagunça e, se não consegue ser líder, muitas vezes prefere fazer suas brincadeiras sozinho, afastando-se do grupo. Faz gracinhas e palhaçadas para ser notado e chamar a atenção. Puxa assunto com os adultos e gosta quando tem um que se dedique a ele.
Exemplos:
- Passar no tunel - Enzo passa a primeira vez, talvez uma segunda. Na terceira, pára no meio do tunel e fica lá 'fingindo de morto', para atrapalhar os outros. Ou se joga sobre o tunel. Sempre achando a maior graça de tudo.
- Andar de cavalinho de pau - funciona por um minuto, depois, enquanto todas as crianças estão galopando, o cavalinho dele já virou uma espada, está esticado para o alto e começa a 'duelar' com algum amiguinho.
- Jogos de tabuleiro - se a pessoa com quem está jogando for condescendente, a segunda rodada sempre terá novas regras, de acordo com os interesses dele, ou ele discutirá que algo óbvio não é verdade, só para causar algum caos na brincadeira.
M. teme colocar Caio em uma escola muito tradicional. Acha que ele pode ficar bitolado demais.
Eu temo colocar Enzo numa escola tradicional demais. Acho que ele pode ficar rebelde.
Embora a autoridade dos pais nunca seja questionada e não entre nas 'rebeldias' dele, não nego que esses comportamentos me irritam, especialmente quando observados com outras pessoas. Eu sou organizada e a subversão da ordem é uma chatura pra mim. Claro que também não queria ter um filho-robô, mas me vejo tantas vezes me irritando com ele para que não seja tão 'do contra', que acho que isso se torna um peso na nossa relação, às vezes. Eu fico estressada para controlá-lo enquanto brinca com os outros, para que não seja o 'estraga prazeres' e, com isso, venha a ser renegado pelo grupo. A opção seria deixar que a vida ensine. Mas ensinar ética nas relações não é papel dos pais? É ou não é?
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