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domingo, 11 de março de 2018

Portugal - Janeiro 2018 - Belmonte

Descemos a Serra da Estrela para o outro lado, no sentido do centro de Covilhã, uma cidade de porte médio, com universidade, um grande hospital, e muitas menções àquele que parece ser seu morador mais ilustre, Pero da Covilhã, uma espécie de Marco Polo português (pelo que pude descobrir).


O museu do lanifício homenageia a mais importante atividade local

Pegamos a estrada rumo a Belmonte, a cidade da família de Pedro Álvares Cabral

Belmonte é uma cidade onde a história doas navegações portuguesas se entrelaça com a do início do Brasil, portanto é considerada uma cidade-irmã.



Cabral pertencia a uma família de fidalgos (filhos d´algo ou de alguém) beneficiados pelos reis de Portugal desde a participação de um de seus antepassados em conquistas na África durante as Cruzadas.  Em razão disso, a família detinha um castelo em Belmonte e eram os senhores daquelas terras. O Pedro era apenas um dos filhos do senhor do castelo, não lhe sendo permitido sequer usar o nome de Cabral (do pai) à época da viagem ao Brasil. Ter se casado com uma moça de família mais importante que a sua, parece que foi determinante para a obtenção de favores reais e o papel desempenhado na expedição que o tornou famoso.

A cidade hoje conta com um complexo de pequenos museus. Nosso interesse era no museu dos Descobrimentos, mas acabamos comprando um pacote com desconto para visitar todos os cinco.

Começamos pelo museu dos descobrimentos



De tudo que vimos por lá, o que mais me impressionou foi saber que Pedro, muito provavelmente, sequer era um navegador!!! Na verdade, pouco se sabe sobre seu passado, apenas presume-se que tenha servido como militar no norte da África, mas nada existe de concreto que justifique sua escolha como capitão da armada que veio dar no Brasil! Inclusive, depois dela, teria se refugiado em Santarém, nunca mais aceitando qualquer outra indicação para participar de navegações.



Na verdade, Pedro foi muito bem assessorado pelos melhores navegadores da época, como Bartolomeu Dias e Américo Vespúcio, que eu nem sabia que tinham participado dessa expedição, o que me faz duvidar ainda mais da tese de que a chegada ao Brasil tenha sido ocasionada por erros de navegação...

O museu é todo interativo, o que facilita muito o entretenimento e o interesse das crianças.

Pise na data e descubra o grande feito marítimo do ano!

Telas interativas com muitas informações sobre as navegações portuguesas

Mapas ativados pelo movimento

Realidade virtual usada para mostrar itens típicos brasileiros
Em seguida, fomos no museu do Zézere, o rio que corta essa região central da Europa e que fica no prédio onde antes ficava o silo do Castelo dos Cabrais. 



 Esse museu é bem simplesinho, mas tem algumas atrações interativas e mostra informações acerca da flora e fauna da região, assim como dos impactos ambientais sofridos pelo rio.


Antes que todos os museus fechassem para o almoço, ainda conseguimos visitar o museu do azeite.  Esse é, basicamente, uma loja de azeites com algumas máquinas antigas em exposição... bem fraquinho.




A degustação foi a melhor parte!
 Seguimos em direção ao Castelo, que fica numa parte um pouco mais alta da cidade e pudemos  passear um pouco e aproveitar o clima de 'aldeia' do local.



Em uma vila tão antiga, estilos arquitetônicos se misturam numa grande viagem pelo tempo.

 


Durante o almoço, quase tudo fecha e as pessoas desaparecem das ruas.

 

Roupas expostas nas ruas com a maior tranquilidade... deu até para experimentar
a boina!

E, claro, os mais idosos sempre reunidos na pracinha, conversando e pegando sol!

Enfim, chegamos ao castelo:


O Panteão dos Cabrais, de fronte ao castelo

O pelourinho dos Cabrais

Almoçamos no restaurante Casa do Castelo, que fica praça em frente. Muito bom. 

Após o almoço, fomos explorar o Castelo.






Atualmente existe um palco para apresentações artísticas
no interior do castelo

Ali há exposições relacionadas à tomada de Ceuta, da qual participou o antepassado de Cabral, moedas, livros e brasões antigos.

 


 

Tivemos a oportunidade de conversar com um dos guias da exposição sobre as questões que envolvem as dúvidas descobrimento/achamento do Brasil e vimos que há ainda defensores de ambas as teses, cada quais com seus argumentos baseados em documentos da época.

Também tivemos acesso a um livro com a íntegra da enorme carta de Pero Vaz de Caminha, que desconsiderou os protocolos da época escrevendo direto ao Rei, de forma a encantá-lo, para depois poder concluir pedindo favores para seu genro...

Enzo ficou muito confuso e interessado. Tentamos explicar tudo com calma, pois são questão complexas. Temas como o Tratado de Tordesilhas, colonialismo e "pistolões" surgiram para serem discutidos, o que foi muito legal.  Infelizmente, ao chegar na escola, ele tentou repassar o que tinha aprendido aos coleguinhas, mas estes não acreditaram muito nele...  😪

 O último museu a visitar era o museu judaico, mas demos apenas uma passadinha e não tiramos fotos.
















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