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sábado, 28 de maio de 2022

Dicas Gerais Grécia maio 2022

 A Grécia é um país quente e seco. Imagino que turistar no alto verão seja absolutamente insuportável, tanto pelo calor, quanto pela superlotação de turistas na alta temporada se esbarrando pelas vielas, subidas/descidas dos pontos turísticos e disputando ângulos para fotos. No inverno, as ilhas ficam praticamente sem atividades turísticas, segundo li. Então, é um destino para primavera/outono. Fora disso, eu não iria.

Todo mundo fala inglês. No mínimo, arranha o básico. Normalmente, falam bastante bem. Isso compensa a dificuldade de usar os aplicativos de localização com todos aqueles nomes de ruas em grego.

Quase não vi crianças turistando por lá. Quando vi, eram bebês. Realmente, não acho que seja um país com apelo para viagens com crianças, especialmente nas ilhas.

ATENAS

Dizem que Atenas não tem nada pra fazer, além de subir e descer da Acrópole. Não é verdade. Além de ser uma capital muito rica de cultura, tem atividades mesmo para quem não quer ir a muitos museus e ver ruínas. Há uma extensa costa com muitas praias nessa "Riviera Ateniense" (dá para ir de bonde desde a praça Syntagma - Athens Coastal Tram). Algumas são privadas e funcionam como clubes, em que se pode entrar por um valor de diária. Também há passeios de um ou dois dias para locais interessantes como Meteora ou as ilhas Sarônicas, como a Aegina.  Eu acabei não tendo muito tempo hábil para fazer esses passeios, ficou pra próxima!

Tem uber e não tem, pois o uber acessa a rede de taxis. Já foi barato, mas não é mais tanto. Leve em conta que um voo um pouco mais barato que te deixe no aeroporto entre meia noite e 6 da manhã te custará quase o dobro do valor do taxi (para Plaka pode chegar a 60 euros nesse horário). Uma peculiaridade do app é que dá um preço estimado (ex. 11 - 15 euros) e só depois de concluída a corrida se tem o valor final.

Ter me hospedado em Plaka foi a melhor decisão, pois é bem localizado para todas as principais atrações, tem tudo perto e é um charme. Vale o investimento. Se não puder ficar lá, fique nas imediações. Dizem que o metrô funciona bem, mas não testamos.

Muito cuidado ao passar pelo bairro de Anafiotika, que é lindo, mas é o reduto dos ciganos pickpockets. Aliás, a maioria dos pedintes (adultos e crianças) é também de ciganos e é possível ver os grupos se revezando nas atividades. Mas fora essas situações muito pontuais, me senti muito segura por lá. A cidade é limpa e bem organizada.

Fiz dois tours em Atenas. Um foi à pé (Athens free tour do site Get your Guide). Adoro esses tours porque os guias tentam se superar, já que o pagamento é opcional. Em média, vi darem cerca de 10 euros por pessoa ao final do passeio, que dura 2h e meia.  O outro foi o ônibus hop on hop off que tem 3 linhas (cidade, porto de Piraeus e praias). Ficamos nele quase o dia todo e pagamos 25 euros por pessoa. Deu uma visão diferente da cidade, pois percorre uma área enorme para além da área urbana, até a badalada Glyfada beach. Numa cidade com tanta história para ser contada, os tours são absolutamente obrigatórios (ainda que as informações de ambos acabem conflitando às vezes). Achei que foram experiências complementares e bem diferentes.

Em Atenas só fomos ao Museu da Acrópole, mas dizem que o Museu arqueológico também é bom. É melhor visitar o Museu da Acrópole antes da visita à Acrópole propriamente dita, pois dá uma melhor visão de como devia ter sido o lugar. Os ingressos são vendidos separadamente. 

Subir a Acrópole é melhor bem cedo de manhã ou mais para o final da tarde (fica aberta até 19h para entrar), mas não achei a subida pesada. Se quiser um guia, vimos alguns na entrada disponíveis para contratar.

 Na saída, há uma pequeno morro ao lado para subir gratuitamente (Aerópagos Hill) e ter uma visão fantástica da cidade. 

Um pouco mais adiante vale visitar o parque Filopappou, passear entre as oliveiras e ver o local onde, supostamente, ficou preso Sócrates.

Para comer há de todos os preços. Dá para comer bem barato nas lojas de Gyros (carnes que ficam rodando em espetos e são servidas com vários acompanhamentos). Um prato em restaurante estava em média 12 a 20 euros. A gorjeta é opcional e não precisa chegar a 10%, normalmente se 'inteira' o valor.

Pra quem gosta de mercados (de produtos locais e de pulgas), a área do Mercado Público é um programa interessante. Mas se for muito sensível a animais mortos em exposição, melhor nem ir.

Outro programa legal é acompanhar o anoitecer com o acendimento das luzes na Acrópole. Há hotéis com rooftops com bares e restaurantes. Nosso hotel era simples (Athos Hotel), mas tinha um terracinho perfeito para essa observação aberto aos hóspedes.

No mais, ver algumas igrejas ortodoxas por dentro,  bater perna em Plaka vendo as infinitas lojinhas de produtos turísticos, sentar num restaurante em uma praça num fim de tarde e provar as comidas típicas!

ILHAS

A Grécia tem centenas de ilhas, mas aquelas que povoam a nossa imaginação, das fotos mais bonitas, são as Cíclades. Destas, as mais famosas são Mikonos e Santorini, que foram as que visitamos.

A ordem da visita devia ter sido Santorini - Mikonos. Depois de ver Mikonos, que tem uma beleza muito impactante, Santorini demorou a ter graça pra mim.

O deslocamento entre ilhas pode ser feito de ferry ou avião. Vale comparar preços e horários.  Cuidado com cias aéreas low cost! São cheias de pegadinhas e o barato pode sair caro. Foi o nosso caso, por não termos feito o check in online antes da abertura do guichê.

Tenha em mente que os preços de tudo nas ilhas será por volta de quase o dobro do que foi pago em Atenas, em média. São caras mesmo.

Achei Mikonos lindíssima. As praias são muito agradáveis e mansas.  Há praias família (ex. Ornos e Platis Gialos) e beach clubs para festas, mas nas praias 'família' também pode haver festas após determinado horário. Na maioria há uma grande estrutura de espreguiçadeiras e guarda sóis. O valor de diária, pelo pouco que vimos, costuma variar em torno de 30 euros (2 espreguiçadeiras e um guarda sol). Mas sempre é possível estender sua canga na areia! 

Mikonos town, o centro da cidade, parece com Veneza no quesito 'labirinto'. Vale se perder pelas ruas e se encantar com cada cantinho de casinhas imaculadamente brancas com suas flores, muitas lojas e restaurantes. Não deixe de ir até o finalzinho, no antigo castelo e dar uma olhada na lateral do Restaurante Kastro´s.

Fora isso e as praias, não há muito o que fazer.  Fomos até a cidade velha, bem no alto da ilha, mas não é um must see.

Para se deslocar entre as praias, usamos uma lambreta que alugamos por 30 euros a diária + 5 euros de combustível para um dia. Para se hospedar, como a ilha é relativamente pequena, acho que a área próxima aos moinhos pode ser uma boa opção, entre o centro e o acesso às praias. Nós ficamos em Mikonos Town num airbnb, mas a área pode ser um tanto barulhenta. Se o apartamento fosse uma rua para o lado, imagino que nem teríamos dormido...

Para o transfer do porto novo, caso chegue de ferry, há opção de um water bus, mas não funciona se estiver ventando muito e não vai te levar à porta da hospedagem, claro. Agendei taxi e cobraram 20 euros por um trajeto de cerca de 10 minutos. Não tem uber lá.

Santorini é uma ilha bem maior e com mais diversidade de atividades. Não é local de praia. Os locais mais pitorescos a visitar são Thera (Fira) e Oia (Ía), que consistem em bairros em aclive cheios de lojinhas, bares e restaurantes, entremeados por vistas incríveis da Caldeira (baía que dá de frente para o que restou do antigo vulcão) e das construções em camadas, muitas vezes encrustradas na rocha. Prepare as pernas!

Há quem diga que o melhor é se hospedar nos hotéis das encostas desses locais. Pessoalmente, acho que o deslocamento ali é complicado e há que se cuidar para não ficar num lugar lindo, mas com barulho de turistas e gente passando em volta o tempo todo. Lugares bons por ali são muito caros.

Nós curtimos ficar em um local mais central da ilha, para explorá-la de carro (40 euros por dia, reserva feita diretamente no hotel). Não teria muita paciência para ficar 'presa' na contemplação eterna em Oia, que fica no extremo superior da ilha, por exemplo. Questão de gosto. Preferimos percorrer toda a ilha nos 5 dias que tivemos por lá.

Na parte cultural, tem 3 atividades que se complementam. O museu arquelógico em Fira, as ruínas e Akrotiri (nesses vale comprar o ingresso combinado, que fica mais barato) e o museu interativo Alantis. Os dois últimos ficam na parte sul da ilha. Curtimos bastante e recomendamos pra quem gosta de arqueologia (a história de Santorini lembra a de Pompeia).

Há um show em Fira que reproduz um casamento grego. É um lugar onde se pode dançar as danças típicas, comendo uns acepipes e quebrar uns pratos. É uma boa experiência (só acho que as músicas em inglês para mostrar o alcance vocal dos cantores seria dispensável). Mas renderá boas risadas e memórias! Bom programa para depois de assistir ao por do sol de um dos restaurantes das imediações (o Kastro tem uma vista linda e bem ampla, com preços não tão absurdos).

Outra vista imperdível é a do Santo Wines. Vá mesmo que não queira fazer o tour ou a degustação de vinhos.

E, claro, Oia, que é a vista preferida de 9 entre 10 visitantes da ilha e é onde poderá encontrar a Santorini das fotos mais badaladas.

Visitamos algumas praias também. A água é maravilhosamente limpa em toda Grécia, até nos portos, mas as praias de Santorini são basicamente de pedras e areia escura. Costumam ser mais dedicadas a esportes náuticos, como mergulho e caiaque. 

Fizemos também um passeio de barco. O mais 'basicão' de todos custa 25 euros e vai até uma hot springs, onde a água é mais quentinha (até junho é bem fria e tem que entrar na água geladinha e nadar até a parte quente) e até uma trilha sobre o antigo vulcão (entrada paga à parte). Como já passeei muito por  Angra dos Reis não me impressionei muito com esse passeio não... Mas há outras opções que podem ser melhores.

Faça ou não o passeio de barco, se for ao porto velho, faça-o de teleférico (6 euros por perna). Mesmo na descida, não vale encarar 600 degraus sujos e fedidos de cocô de burro.  Aliás, não sei porque ainda levam os burros para lá, não vi ninguém se animando a montar ou pedir fotos. Foi muito bom ver o avanço civilizatório na relação com os animais. Espero que o dono dos burrinhos que ficam ali no sol se dê logo conta disso!

No mais, encante-se com todas as paisagens, que são de graça, e não tenha preguiça de andar muito!


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