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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Os Barcos

Quando conheci meu marido, há quase 5 anos, ele já estava com essa mania náutica.

Já tinha sido maratonista, escalador, pescador submarino, mas era o momento dos barcos à vela. Tinha recém comprado um Dingue, que é um barquinho do tamanho de uma banheira comprida com uma vela cujo mastro roda ao sabor do vento e que, para se andar nele tem-se que ficar atento pois não é incomum levar uma retrancada na cabeça ou até virar o casco.

Quando estávamos no começo da relação, até me assanhei de ir com ele algumas vezes. Apaixonadinha e querendo aproveitar a novidade tudo fica lindo. Mas acabei desistindo após 3 tentativas.

Na primeira, o senti um pouco inseguro. Eu não sabia, mas ele ainda não tinha quase nenhuma experiência de vela. Saímos para uma volta muito curtinha, antes de uma regata em que ele ia participar. O tempo fechou, o barco balançou, e por sorte meu telefone tocou e era meu pai me chamando para ajudar na decoração da festa dele. Ufa!  Mais tarde, ele me contou que virou o barco 3 vezes durante a regata porque o vento piorou muito. Imagine meu pânico? Virar na boca da Baía? Engolir aquela água?

Num dia mais quente, BEM mais quente e ensolarado, resolvemos tentar de novo. Com tempo de sobra, nos aventuramos mar adentro. Bem mais adentro. Só que quando estávamos no meio da baía o vento parou. Parou mesmo. E o tempo passou. E o sol esquentou. E ele ainda não tinha comprado os remos. E ficamos presos ali, num calor escaldante e quase sem reserva de líquidos frescos. Então, ele se deitou na frente do barco (popa? proa?) e começou a remar com os braços. Apesar de sua grande envergadura, não tivemos grande progresso no percurso. Eventualmente, o vento voltou. Mas eu cheguei esturricada.

Na terceira vez, certificados de que haveria sol e vento e munidos dos devidos remos, seguimos novamente para o mar. Só que, inesperadamente, o vento virou. Ficou excessivamente forte e, numa retrancada que seguiu a uma virada do barco, quebrou uma peça que dava controle à vela. Ficamos literalmente à deriva. Ainda éramos sócios de um clube náutico mequetrefe que nem tinha atendimento telefônico aos domingos e eu não tinha anotados no celular os telefones diretos da náutica.  A solução foi levantar e fazer sinal para os outros barcos que passassem, pedindo socorro, até que uma santa alma viesse nos rebocar.

De dingue, nunca mais.

Depois vieram o barquinho rádio controlado, o bote de apoio com motor e o glorioso Velamar 33 pés.

Rios de dinheiro e tempo investindo nesse hobby. Mas, fazer o quê? Melhor que futebol ou mulheres, né? Então, me resigno e aproveito pra pegar um bronze no barcão, quando ele está funcionando.
E espero, sinceramente, que o Enzo curta a vida náutica, ou as coisas ficarão bem complicadinhas no futuro dele...

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