Essa semana tive uma discussão forte com uma amiga querida. Divergíamos sobre o direito da mãe usufruir de tempo livre sem o filho.
Na opinião dela, a necessidade da criança estar com a mãe estava acima de tudo, inclusive das necessidades individuais da mãe (que não incluíssem trabalhar, nesse caso ela excepcionava). Assim, uma mãe que, de férias, levasse o filho para a escola/creche, estaria agindo de modo absurdo.
Na minha opinião, o papel da mãe é essencialmente o de zelar pelo bem estar do seu filho e sua educação, assim, se ele pudesse estar sendo cuidado, alimentado e bem tratado, nada impediria que a mãe usufruisse de algumas horas livres para lidar com seus interesses pessoais. Assim, tanto faria estar sendo cuidado pela avó, pela babá, pela escola. Qualquer opção que permita à mãe ter qualidade de vida e ficar menos frustrada com as intensas demandas maternas seria válida.
Só que a discussão foi pegando fogo e a minha amiga não admitia que se tirasse "férias de filho". Ponderou que as crianças necessitariam, essencialmente, das mães e que nenhuma mãe poderia se furtar disso por interesses pessoais.
Acho isso uma loucura. A convivência com o filho não pode ser desconsiderada, mas a mãe tem que ter qualidade de vida. E não me venha dizer que as mães em geral se contentam em dedicar todas as suas horas livres a sentar e brincar com criança. Há que se ir ao salão, comprar roupas, ir a médicos, fazer exames, cuidar da manutenção e renovação da casa. Ocasionalmente, é importante, almoçar com amigos, sair com o marido para namorar, ou mesmo falar ao telefone (o que é impossível com uma criança ao lado, convenhamos). Há que se ver um filme ou mesmo relaxar da rotina com uma soneca fora de hora.
Ou não? A mãe é uma escrava em tempo integral? Destinada a estar sempre disponível?
Sei que há crianças diferentes, mas meu filho exige atenção integral quando estamos juntos. Ele não brinca sozinho e, mesmo para assistir algo na TV, tem que ter a companhia atenta de alguém. Como não tem irmãos, esse alguém é sempre um adulto. Se eu 'escapo' para o computador ao lado, ele imediatamente quer vir para o meu colo, pedindo para ver fotos ou vídeos na telinha. Tudo para que eu não tenha qualquer distração que não o inclua. Mesmo se nós estivermos deitados ou sentados próximo a ele, se não houver uma conversa ou interação efetiva, ele fica chamando à atenção nos chutando, subindo nas nossas costas ou pelas nossas cabeças. E sim, machuca bastante. Mas a presença dos pais lhe causa profunda excitação... é impressionante!
Portanto, para ficar com ele, há que se estar disposto. Fisicamente falando.
Levá-lo conosco para tarefas diárias, como supermercado, shoppings, restaurantes, ou assemelhados não é tarefa fácil ou que algum de nós encare fazer sozinho. Primeiro que ele sai correndo sem olhar para trás. Segundo que as mãozinhas nervosas dele atacam e quebram coisas expostas. Terceiro porque, se não for assim, o passeio não tem a menor graça para ele, pois ficar calmamente sentado enquanto se come, compra ou resolve questões, é pra ele sinônimo de tédio e aborrecimento profundo.
Então, tendo onde deixá-lo em segurança, brincando com outras crianças e desenvolvendo suas habilidades e aptidões em atividades direcionadas para sua idade, não tenho dúvida do que escolher.
Claro que várias horas do meu dia são reservadas para ele. Durante a semana, ficamos juntos até a hora da escola, que atualmente ocorre às 10h. O busco por volta de 17:30, após a jantinha e vamos juntos até ele dormir. Claro que isso é possível dada a minha imensa flexibilidade de horários. Nos fins de semana estamos juntos, mas também tem uns horários com a babá ou a vovó para os papais usufruirem de alguma atividade de lazer ou não.
Sei que a dosagem desse tempo é controversa. Optei pela qualidade do tempo, já que não me sinto capaz de entregar-lhe toda a quantidade dele... mas isso não significa que não o ame! Supervisiono tudo: remédios, alimentação, horários. Levo e busco na escola, estou sempre presente, sempre atenta, sempre conversando com as professoras, diretoras, médicos. Sou eu quem compro roupas, presentes para as festas dos amiguinhos (nas quais sempre vou também, é claro), brinquedos, móveis, acessórios. E estamos sempre juntos em todas as viagens também.
Raramente saímos à noite. Nunca viajamos sem ele. O acompanhamos em todos os seus programas, já que não gosto que saia sozinho com babá.
Acho que sou uma boa mãe. Sou a mãe que posso ser.
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