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quarta-feira, 11 de julho de 2012

A 10a. viagem do Enzo - Nordeste - Pernambuco e Paraíba

Com dois anos e dois meses, voltamos ao nordeste.  Dessa vez, para uma viagem um pouco mais longa e com mais destinos. Começamos em Recife, na casa de um grande amigo do meu marido que estava morando lá num apartamento em Boa Viagem. Enzo se portou muito bem, embora tenha se recusado a dormir sozinho no quarto desconhecido. Jantamos num hotel na orla, que tinha alguns brinquedos para crianças, e Enzo deu trabalho correndo pelo local, entrando pela cozinha e, desde já, recusando-se a provar coisas diferentes.

No dia seguinte (após acordarmos nossos anfitriões muito antes do que esperavam, pois não tinha cortina no nosso quarto, então o Enzo acordou com o sol), tínhamos que ir para Porto de Galinhas, mas antes, ainda tivemos que arranjar um Posto de Vacinação, pois era dia de dar a gotinha anti paralisia infantil. Para minha surpresa, a vacinação incluía tb um reforço da vacina de sarampo, por conta de um surto. Acabei me negando a dar, já que uma reação no meio da viagem seria catastrófica e ele tinha tomado uma dose há menos de um ano.

Resolvido isso, seguimos, então para Porto, para nos hospedar no hotel Best Western.  O hotel era bem legal, grande, belas piscinas, praia contígua, bom restaurante, serviço de quarto e salinha de recreação infantil.  Não era um grande resort, como há muitos por lá, mas como era nossa primeira vez no local e íamos querer passear bastante, achamos uma boa opção. O ponto fraco era mesmo a recreação.



Na chegada, o tempo ainda estava bom e pegamos piscina/praia no hotel até a tardinha. Enzo encarou uma macarronada com suco de laranja e divertiu-se muito. Pulou ondinhas, chafurdou-se na areia, esbaldou-se na piscina. E estranhou que uma criança oferecesse objetos de artesanado na praia. Do alto dos seus 2 aninhos, poderou que, se era criança, não poderia trabalhar!
 À noite, fomos conhecer o 'Cururu' de Porto de Galinhas. O tempo estava chuvoso, mas deu pra dar uma voltinha e tirar umas fotos das diversas galináceas que enfeitam o centrinho.  Pena que paramos para jantar no que, provavelmente, era o pior restaurante do local. Mas esperar o que de um estabelecimento que tem como 'especialidades' pizza, massas, frutos do mar, carmes nordestinas etc? Tentando agradar a todos, não agradamos a ninguém.

Esse, aliás, era um motivo de stress com o marido naquela época. Mesmo sabendo de todas as limitações alimentares do Enzo, sempre queria aproveitar gastronomicamente as viagens, provando coisas do lugar. Eu, ao contrário, ficava sempre tensa, pedindo pratos que o pequeno pudesse querer e comendo o 'resto' dele.  Mas em restaurantes regionais era difícil conseguir que ele provasse qualquer coisa. Pra dizer a verdade, ele não aceitava muito mais que macarrão e arroz com feijão (o que era difícil de encontrar por lá).

No dia seguinte, fomos com esses amigos para a praia de Carneiros. Aparentemente, pegamos um caminho mais longo, nos perdemos, e chegamos na praia tão famosa um pouco mais tarde do que gostaríamos. Mas, para o Enzo, não foi um problema, pois, nessa viagem, ele desenvolveu uma interessante capacidade de dormir em TODOS os trajetos. Entrava no carro, deitava e dormia, o que era ótimo.

Não achei essa praia a maravilha que falam... talvez pq a maré estivesse muito baixa, ou o tempo não muito bonito.  Enfim, pegamos logo o passeio de barco que tinha paradas nos recifes de corais e suas piscinas naturais (onde o Enzo nadou por entre os peixinhos e viu caranguejinhos e ouriços), na praia de lama monazítica e numa antiga igrejinha. Depois, de volta a Carneiros, almoçamos (Enzo só na mamadeira e nos lanchinhos afanados do café da manhã que eu tinha levado) e voltamos para o hotel, pois nossos amigos retornariam a Recife.

Á noite, mais uma luta para jantar (acabamos na mamadeira de novo!) e algum tempo na salinha de recreação.

No terceiro dia, alugamos um táxi com um motorista muito mal humorado para levar-nos a alguns passeios. Primeiro, para a deliciosa praia de Muro Alto, muito calminha e quentinha, onde ficam os maiores resorts da área. Realmente, a subida para carros era um tanto complicada, mas pegar um jipe com uma criança de 2 anos não nos pareceu uma idéia boa, pois não daria o conforto para as sonequinhas necessárias.


Em Muro Alto Enzo passeou com o pai de caiaque e divertiu-se demais correndo pela beira d´água. De lá, seguimos para o Pontal de Maracaípe. O táxi nos deixava a certa distância, pois o local só era acessível a pé. Carregamos o Enzo dormindo e exausto e contratamos um guia local que foi nos contando alguns detalhes da geografia que passariam despercebidos sem isso, como a palmeira com escoliose, o tronco-cavalo marinho e o mangue colorido.



Chegando ao Pontal propriamente dito, encontramos várias jangadinhas interessantes, munidas de guarda-sóis e seguimos no passeio em busca dos cavalos marinhos. Demorou um pouco, mas um dos jangadeiros achou uns filhotinhos. Acho que não era época ou horário próprio para encontrá-los, mas valeu.

De lá, voltamos ao centro de Porto de Galinhas para passear nas jangadas tradicionais. Na verdade, pela previsão do tempo, tínhamos que aproveitar bem esse dia de sol fazendo todos os passeios que queríamos, pois no dia seguinte, viria chuva.  Então, 'almoçamos' num restaurante da orla (demoradíssimo, o que foi muito estressante) e seguimos para as piscinas naturais tão famosas.

No fim do dia ainda encontramos forças para voltar ao centro para um crepe.  Mas o Enzo pouco aceitava provar qualquer coisa, além de pratos de macarrão, o que ia me deixando cada vez mais nervosa, devo confessar.

No quarto dia, como previsto, o tempo virou. Enrolamos lá pelo hotel e adiantamos nossa saída, com um carro que alugamos, a caminho da Paraíba, passando pela Ilha de Itamaracá, para ver o Forte Orange (só por fora) e o Projeto Peixe Boi.

Não gostei muito da Ilha. Muito enlameada e confusa. Cheia de barraqueiros de praia nos assediando. E a higiene deles não parecia uma maravilha. Mas o Projeto Peixe Boi (animal preferido do meu marido e que dá nome a todos os seus barcos) era muito organizado e interessante. Fizemos uma visita guiada que terminava numa biblioteca infantil e mini museu de vida marinha. Bem fofo! Os peixes boi mesmo, eram difíceis de ver, afundados em seus tanques. Mas cenários interessantes para fotos não faltaram.


A segunda parte da viagem foi na Paraíba. Mais precisamente no município de Conde, onde meu sogro morava numa casa na região praiana de Jacumã, com sua (muito) jovem esposa e seu filho de 4 anos, meu cunhado.

A casa tinha 3 quartos e até uma piscininha, mas como não sou chegada a me hospedar em casa dos outros, acabamos ficando na Pousada do Inglês, um hotel bem simples que ficava na mesma rua, com uma decoração meio kitch, uns dinossauros no quintal e miquinhos que vinham roubar o café da manhã. Apesar do excesso de mosquitos e poeira no quarto, foi uma boa opção pois o casamento do meu sogro estava no fim, e o clima naquela casa, obviamente, não estava lá essas coisas.

Os meninos, tio e sobrinho, com 2 anos de diferença, brincaram bastante no primeiro dia. Na piscina, com o gatinho ou vendo tv juntos. Claro que também se estressaram em alguns momentos, como todas as crianças, mas tudo correu bem nesse dia.

No dia seguinte, fomos para uma praia próxima, chamada Coqueirinhos. Realmente, era um belíssimo lugar, com um restaurante muito bom e excelente estrutura. Passamos antes pela praia de Tambaba, famosa pelo naturismo, mas tiramos fotos apenas do alto.

Esse dia ficou especialmente cansativo para mim, pois o marido acabava por ficar conversando com o pai, enquanto me cabia perseguir o pequeno por todo o local, que era bem grande.

À tardinha, voltamos para a casa do sogro para jantar e ficamos por lá.  Ocorre que, a essa altura, o Enzo já estava bem entediado da casa do avô. Já tinha feito tudo que havia para fazer por lá e, acostumado que estava a ter novidades todos os dias da viagem, começou a se mostrar bem chatinho e dar uns 'defeitinhos', recusando-se a brincar com o tio, por exemplo.

Comer, não vinha comendo mais nada. Confesso que na casa do meu sogro não havia muita variedade de comida que pudesse ser oferecida a ele, pois alimentavam-se de quentinhas e sopas de pacote. Como as quentinhas escolhidas para aqueles dias tinham sido de comidas mais rebuscadas, para agradar os adultos, o menino ficou só no leite com sustagem mesmo. Na última noite, a mulher do meu sogro comprou umas salsichas para fazer com miojo, mas o Enzo detestou o miojo e comeu meia salsicha, que também não devia ser do tipo que estava acostumado.

No terceiro dia em Jacumã, o tempo voltou a ficar feio e aquela praia mesmo, só vimos à distância, ao darmos uma volta pela área, pela manhã. O problema foi que, ao retornarmos para a casa do meu sogro, o Enzo rebelou-se. Começou a fazer inúmeras pirraças e birras até que decidíssemos antecipar a volta para Recife. Foi até engraçado, que, ao ser fechada a porta do carro, ele exclamou: "Ufa! Cabô"

De volta a Recife,  pegamos uma chuva torrencial. Ficamos num hotel horroroso, embora bem localizado em Boa Viagem, com lençóis menores que as camas e um quarto muito pequeno. Almoçamos macarrão (surpresa!) num restaurante italiano próximo, mas para chegar nele tivemos que enfiar os pés na água, porque as ruas já estavam cheias!

Mais tarde, fomos ao shopping para encontrar aquele casal de amigos. Deixamos o Enzo numa dessas áreas infantis, mas o casal demorou demais, por causa da chuva. Quando entramos na pizzaria já passavam das 21h e, para nosso azar, a área de brinquedos deles estava em manutenção.

Então, foi difícil administrar o cansaço do Enzo, que se manifestava como absoluta agitação. No final, ocorreu uma das cenas mais engraçadas da minha vida. O menino, cansado por não ter atenção nem divertimento adequado, subiu na mesa, abaixou as calças e subiu a camisa enquanto se pendurava no lustre pendente. Juro que minha surpresa foi tamanha que demorou alguns segundos para puxá-lo de volta. Foi uma daquelas gargalhadas que nos tiram as forças. Realmente, era hora de pedir a conta e voltar pro hotel, tadinho.

Acho que para uma criança de apenas 2 aninhos, uma semana inteira fora de casa e sua rotina podem ficar um tanto cansativas. Mas o saldo da viagem, especialmente na primeira parte, foi bastante bom.





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