Desanimada com o resultado do Colégio A. que sequer respondia nossos emails e telefonemas confirmando o interesse e pedindo auxílio para a preparação do 'candidato' para o ano seguinte, desabafei com uma colega de trabalho. Ela, então, me recomendou olhar a Escola P., onde sua filha mais velha tinha estudado. Essa colega é mais moderna e descolada do que a maioria, que é bem tradicional e elitista, e não é por outra razão que gosto tanto dela...
Marta me disse que sua filha era muito culta, tinha uma visão muito informada do mundo, que a educação de lá era bem holística e, ainda assim, ela e todos os seus colegas tinham passado em boas colocações para faculdades conceituadas. Eu tinha uma imagem da Escola P. como um lugar muito alternativo, para artistas (e até é), talvez até algo montessoriano.... mas ela negou e me convidou a ver o site.
Eu já tinha olhado o site há tempos, mas meu preconceito me impedira de ir mais além. Com a indicação, fui olhar com mais cuidado. Vi que tinham um horário extenso muito interessante, a partir das 11h, com almoço. Vi que tinham um inglês forte com opção de imersão nesses horários extensos, vi que tinham um espaço fantástico e projetos lindos de literatura, robótica, informática e arte em geral.
Mandei um email e fui logo respondida. Embora já tivesse se encerrado o período de matrículas, ainda havia vagas para a turma em que o Enzo ficaria e marcamos uma visita.
Na visita, vimos uma escola realmente inclusiva (criança com down, autismo, negras), espaços limpos e amplos, brinquedos e materiais extremamente bem cuidados (os do Colégio A. eram um lixo), lugar para correr, aulas ao ar livre, crianças felizes e bem cuidadas, além de funcionários simpáticos e bem educados. O projeto pedagógico é construtivista, instigador da curiosidade e da busca, o que eles chamam de 'ensinar a pensar'.
Gostamos. O único porém era a distância. O bairro era bem mais longe do que eu queria. Na ida, no meio da tarde, sem trânsito, tudo bem, 10 minutos contados do relógio! Na volta é que o bicho pega. Hora do rush, saída às 17:45h. Tudo bem que é contrafluxo, mas, dependendo do dia, é certo que ele demore de 30 a 50 minutos pra chegar em casa.
Mas, nada é perfeito e algum sacrifício se tem que fazer. Se fosse para uma escola em Botafogo, no fluxo do trânsito, tb acabaria demorando quase o mesmo tempo. Então, ligamos para agendar a matrícula. Só que não era tão simples. Embora a vaga fosse por ordem de procura e a dele estivesse guardada, ainda dependia de uma vivência na escola, ou seja, uma entrevista pessoal. Vá lá, se entende, pois a criança pode ter algum 'vício oculto' e eles só arcam com 1 criança especial por turma.
Então fomos para a vivência numa linda tarde de sol. O Enzo se encantou com a floresta que fica entre a entrada e a casa em que a escola funciona. E perguntou porque estava lá. Eu disse que era para ele conhecer a escola, ver se gostava dela, se eles (da escola) gostavam dele. Imediatamente, ele concluiu:
- Porque na outra escola não gostaram de mim, né?
Morri. Eu nunca disse que seria um teste. Mas parece que ele sempre soube.
Durante a avaliação foi educado e interessado. Conversou com a professora e tentou se entrosar humildemente com os futuros coleguinhas no pátio (com uma humildade esperta, que não é do seu feitio, diga-se de passagem. Parecia que sabia estar em teste.) Depois entrou em sala com eles para alguma atividade a que não tive acesso. Disse que desenhou a professora (puxa-saco!) e eu dei graças por sua coordenação motora ter sido tão trabalhada nos últimos meses e não estar tão incipiente quanto na época da prova do Colégio A.
Enfim, passou no teste e eu fiz a matrícula. Agora é esperar para ver se nossa escolha foi mesmo a melhor. Se é que fazemos alguma escolha nessa vida, porque a mim parece que elas já vem feitas, só nos resta descobri-las.
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