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quinta-feira, 19 de julho de 2012

A maldita cirurgia da fimose


Desde que o Enzo era bem pequenininho, notamos que o pintinho era fechado. Foi receitada a famosa pomada Postec para passar e fazer massagem. Talvez não tenhamos feito muito bem, pois ele nunca gostou de deixar mexerem no pinto dele, mas não funcionou nem um pouquinho. Também há quem condene a prática, que pode até causar ferimentos.

Na consulta de 3 anos e 3 meses, perguntamos ao pediatra sobre a necessidade da cirurgia de fimose. Ele disse que nos preparássemos para fazer no ano seguinte.  Bom, eu já tinha ouvido que não era bom fazer enquanto a criança usasse fraldas, pra evitar a contaminação, mas não vi razão para esperar até 4 anos. Não sou uma pessoa que postergue soluções de problemas e meu marido era veemente em dizer que tinha q ser feito o quanto antes. Eu mesma, nem via tanta necessidade, já que Enzo nunca teve infecção urinária, mas era uma opinião de homem e tinha q ser respeitada. O pai tinha feito, os avós tinham feito. Se ele teria que fazer, que se fizesse logo!

Tinha ouvido falar que era melhor fazer no inverno, para não cair na tentação de ir à praia ou piscina muito cedo, então, aproveitei que o coleguinha da escola tinha acabado de fazer o procedimento com um dos médicos indicados pelo pediatra e marquei a consulta.

Na consulta, o médico explicou que faria uma técnica de deixar 1/3 da pelinha para que a recuperação fosse mais rápida e passou os exames pré operatórios.

Fizemos os exames (Enzo super corajoso no exame de sangue!) e voltei com o marido para tirar as últimas dúvidas e pegar o pedido de cirurgia. Enquanto preenchia o pedido, o médico disse que iria escrever "uma coisinha a mais" para que a Unimed autorizasse a anestesia geral, coisa que parecia não estar ocorrendo.

Ao levar o pedido na Unimed, fui surpreendida pelo fato de que o médico tinha adicionado um procedimento a mais, uma tal de ressecção parcial (do saco escrotal). Supostamente, para garantir a anestesia geral, mas, na prática, o faria ganhar por um procedimento que não realizaria. Isso me fez ficar bem brava e desconfiada dele.

Muito mais brava fiquei no dia seguinte, quando o plano de saúde me ligou comunicando a necessidade de fazer uma perícia no menino. Mesmo com muita raiva, me despenquei com o Enzo para o Centro do Rio, numa área onde sequer passavam carros e ficava na boca do Saara, área super perigosa e cheia de assaltantes de ocasião.  No fundo, pior de tudo seria passar por mentirosa e desonesta sem ter nenhuma culpa no cartório.

Realizada a perícia, a médica comunicou que estaria autorizando a fimose e a anestesia (por reembolso), que a senha estaria disponível no dia seguinte. Liguei pelos 3 dias seguintes até que, finalmente me deram uma senha, que eu repassei para o médico e confirmamos a data da cirurgia.

Começamos a preparar o Enzo. Primeiro eu disse que teríamos que 'consertar' uma coisa no pipiu dele. Ele não gostou e respondeu que "não tem nada pra consertar, porque não tem nada quebrado aqui!"

O pai, então seguiu uma idéia do médico e mostrou que o dele era diferente e que iríamos pedir ao doutor pra tirar a pelinha e ficarem iguais. Enzo adorou a idéia e comemorou, o que me deixou consternada, pois ele não tinha idéia do que isso significava na verdade.

Nesse espírito, ele foi extremamente colaborativo. Mamou pela última vez quando dissemos que podia, acordou às 6:30 de ótimo humor, não reclamou de sede ou fome em nenhum momento. 

Isso me deixava ainda pior, porque, embora estivéssemos sendo o mais sinceros possível com ele, a verdade é que ele nunca perguntou se ia doer, mas eu sabia que não ia ser fácil.  E por mais que eu me preparasse para momentos duros, não imaginava quanto seria difícil na realidade...

Ao chegar para a internação no dia 12, mais uma surpresa. A Unimed só autorizava o procedimento a partir do dia 15 (ou 17, dependendo do atendente do telemarketing), calculando a partir do dia da autorização mais 21 dias, conforme autorização de prazo (máximo) da Anvisa. Com absurda má-fé,  visando postergar pagamentos, inventaram que a senha que me deram era uma pré-senha, fato que nunca me foi informado nas duas vezes em que liguei para confirmar.

Tantos percalços me deram a impressão se ser uma indicação para que desistisse daquilo. Mas, com o menino ali, acordado e disposto, eu e marido organizados para faltar ao trabalho... como desistir naquele momento? Fiz o pagamento com cheque enquanto as atendentes do hospital continuavam tentando uma autorização do plano. Eventualmente, o plano autorizou enquanto ainda estávamos no hospital, portanto, se livraram dos danos morais que eu levaria facilmente.

Enfim, já no quarto, deram o dormonid pro Enzo, que foi ficando grogue e sorridente. O pai entrou com ele na sala de cirurgia até que desmaiasse de vez.  Ficamos no quarto esperando os prometidos 40 minutos. Demorou um pouco mais que isso para ele sair e foi o suficiente para meu coração de mãe disparar. 

A saída da anestesia foi bem ruim. Debateu-se com muita raiva, arrancou o curativo, a pulseirinha de identificação, as ataduras da mão. Bateu em mim e no pai com força. Berrou e gritou pedindo ir pra casa. A anestesista dizia ser normal. O pai pegou-o no colo e foi para o corredor fingir que estavam indo para casa. Ainda teve que andar com ele quase 10 minutos para que acalmasse e dormisse.

Duas horas depois acordou e tudo parecia bem. Tomou os remédios, tomou uma mamadeira e voltamos para casa. Recusava-se a ficar parado, saracoteava pois não estava sentindo dor. Uma hora depois, a anestesia local deve ter acabado. Caos. Chorou, berrou e se contorceu das 14 às 19h. Parecia não haver analgésico que desse jeito. Quando fez o segundo xixi, acho q um ponto abriu quando balançou e sangrou muito. Não aceitava nem que chegássemos perto para limpar, passar pomada, nada. Gritava como louco que o piupiu tava doendo. Não conseguia botar nada, nem cueca, nem fralda, nem lençol. Ficava pelado, com a camisa enrolada até quase o pescoço, com medo de encostar no piupiu.

Um dos piores momentos da minha vida, sem dúvida. Difícil segurar o choro diante de tanto desespero de um filho se vendo com o pinto inchado, sangrando, berrando de dor e vc pensando: "pra que eu fui fazer essa merda?"

À noite melhorou um pouco. Comeu, brincou, voltou a sorrir. Para dormir foi difícil, peladinho da cintura pra baixo, só tinha uma posição, molhou a cama e acordou com incômodos por tanto prender o xixi.

No segundo dia, a dor melhorou sensivelmente. Continuou muito resistente a tomar remédios e passar pomada (dizia que não era mais meu filho quando o segurávamos para passar). Demos dois banhos, mas ele não aceitou sentar, apenas abaixou um pouco na água e jogamos água no local com as mãos quando ele se distraía.

No terceiro dia já aceitou sentar na banheira, mas nada de deixar tocar no local, claro. O problema era o trauma e a negativa em fazer tudo porque tudo achava que iria doer. Para nós, era difícil reconhecer o que era dor e o que era pânico, pois mesmo que já tivesse feito vários xixis sem dor, ainda prendia até não aguentar mais e relutava em ir ao banheiro. Mesmo que já tivesse ficado mergulhado no banho sem nenhum incômodo, continuava com medo de se molhar. E, no frio intenso de julho, não aceitava colocar calça e continuava dormindo sem aceitar ser coberto.

No quarto dia eu já esperava que ele fosse capaz de colocar uma cuequinha, mas a glande acordou muito vermelha. Achei que pudesse ser porque consegui colocar uma fralda à noite e, ao fazer xixi, ele sentiu dores, provavelmente, pela ardência, ou porque cresceu e raspou. Então, optei por recortar um buraco em calças de pijama antigas para que ele pudesse ficar mais aquecido, mas ainda com o 'bicho solto'.  Também disso teve medo, chorou, gritou. Mas nesse caso sabíamos que era puro pânico, pois nada tocava na área sensível, e conseguimos que ele se acostumasse.

Com sua calça-erótica-feita-de-pijamas-velhos-pescando-siri, fomos na revisão do médico, no quinto dia. Ele ainda reclamava eventualmente de dor no piupiu, mas já aceitava que eu colocasse a pomada. Como o outro menino que fez a cirurgia no mesmo dia chegou num carrinho, com as pernas abertas e segurando uma fralda aberta, fiquei até mais tranquila. Parece que o menino ainda nem andava direito, enquanto o Enzo, movia-se bem, apesar de andar como um cowboy que perdeu o cavalo. Fiquei impressionada como o Enzo portou-se bem com o médico, abraçando-o sem nenhum ressentimento!

Nos dias que se seguiram, o pintinho foi desinchando, desavermelhando lentamente, ele foi gradualmente deitando de lado, sentando melhor, brincando mais animadamente.  Mas nada de aceitar colocar cueca. Portanto, as noites ainda eram uma luta, tentando levá-lo para o banheiro ou trocando lençóis colocados sobre uma cobertura plástica desconfortável e barulhenta.

E no finalzinho do 8o dia, ele aceitou colocar a cueca! Com carefree, pra evitar que o pintinho, ainda cicatrizante, grudasse no pano e sangrasse.

No 15o dia, ainda nos deparamos com uma casquinha que, confundida com uma sujeirinha, foi tirada pelo pai no banho. Sangrou. Mamãe entrou em pânico. Voltou a sangrar quando colava na cuequinha. Só quase um mês depois, uma pomadinha chamada cicaplast, receitada pela dermatologista, recuperou o piupiu, finalmente.

Um comentário:

  1. Olá ,boa tarde!

    Meu nome é Raquel e tenho filho de 4 anos que também passou por uma cirurgia tem 8 dias ,nos primeiros dias foram só sofrimento,hoje está bem melhor já deixa colocar a pomada graças a Deus.
    Abraços,

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