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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Nossa ida à Patagônia - Parque Nacional Tierra del Fuego - Ushuaia

Depois do almoço, bateu o cansaço e resolvemos descansar um pouco, compensando as horas mal dormidas da madrugada. O tempo estava bem instável e nublado, indicando que iria chover naquela tarde. Mas, claro que eu não iria ficar parada ali o resto do dia! 

A princípio, a idéia era apenas explorar a cidade nesse dia, mas com o feriado, achamos que não teria graça nenhuma.  Entre as excursões de agência, a única disponível para a tarde era a de barco que já tínhamos marcado para a manhã seguinte, quando o tempo prometia melhorar.

Resolvi, então, acolher o conselho do motorista do remis que havia nos trazido e solicitar um 'recorrido' particular no Parque Nacional Tierra del Fuego, o que a recepção do hotel providenciou para nós.

Para esse passeio, havia a opção de ir de ônibus em horários regulares por 300 pesos, mas estávamos cansados e nada dispostos a ficar esperando transporte embaixo de chuva. Além disso, eu sabia que o Enzo dormiria assim que entrasse em um veículo motorizado.

O passeio por agência só saía pelas manhãs e cobrava 600 pesos por pessoa (mais a entrada no parque) e criança devia pagar uns 40% desse valor. O remis nos cobrou 1350 pesos (mais ou menos o equivalente a  US$100)  por todo o passeio e ainda fez um pequeno city tour conosco no final. Foi um bom negócio!

Entrada do Parque

Criança não paga a entrada no parque e adultos oriundos do Mercosul pagam 100 pesos cada. Ali recebemos um mapinha para orientação dentro do parque e indicação de rotas para serem feitas à pé, com seus níveis de dificuldade.

A primeira parada do nosso tour foi no posto de correios do fim do mundo, que  fica na Ensenada Zaratiegui, onde se pode enviar postais com esses carimbos e comprar lembrancinhas. Como o Enzo estava dormindo no carro, como previsto, só fizemos algumas fotos do local. Nosso motorista/guia, nos auxiliou com as fotografias.





Enseada Zaratiegui

Árvores Bandeira, distorcidas com o vento. São mais famosas as que ficam perto da Estância Haberton (dos pinguins), mas essas dão uma idéia do efeito dos constantes ventos patagônicos.
Algumas árvores se quebram e formam esculturas naturais sobre o solo!

Continuamos o passeio, observando os cerros mais nevados, já que chovia sobre eles desde a noite anterior, com paradas para fotos em pontos pitorescos e lagunas panorâmicas. Claro que com um dia mais ensolarado, as paisagens devem ser muito melhores, mas difícil acertar todas com o tempo na Patagônia...



Apaixonei por essas flores, chamadas lupinos, que existem em todas as cores na região!


Laguna Negra

Enzo só foi acordar quando chegamos na castoreira, que era, efetivamente, o que eu queria mostrar a ele no Parque!

A história dos castores é interessantíssima: Em 1946 trouxeram 25 casais de castores da Austrália para desenvolver a indústria peleteira na região. Entretanto, apesar do clima parecido, não era igual, e ao trocar a pelagem para adaptação ao novo ambiente, deixaram de ser adequados aos requisitos da indústria. Então, tiveram a brilhante idéia de soltá-los nos bosques! Só que ali não tinham qualquer predador natural. Não há cobras e há poucas aves de rapina. As raposas (zorros) são pequenas e não dão conta de atacar castores que chegam a ter 25kg! Então, viraram uma praga! Eles se alimentam das cascas das árvores e usam troncos para construir suas represas, onde vivem e conseguem alimento. Desta forma, provocam imensa destruição nas florestas, alterando todo o cenário. O governo, eventualmente, contrata caçadores ou remunera quem leve castores mortos, mas a população apenas diminui, voltando a crescer com força logo em seguida.

Aqui uma represa feita pelos castores, com as árvores próximas inteiramente destruídas

Irado!



Infelizmente, os castores são animais de hábitos noturnos e é dificílimo vê-los durante o dia.

Seguimos, então para a Baia Lapataia, onde finaliza a Ruta no. 3.




Para finalizar, fomos até o antigo Lago Roca, que agora se chama Lago Acicami, uma vez que foram expurgadas as antigas homenagens ao General Roca, que hoje se reconhece como um matador de índios.


Aqui o tempo começou realmente a fechar e pouco pudemos ver do cenário que já tinha visto ser tão bonito em outras fotos...
 Uma coisa que me impressionou muito nessa área foi passar pelos campings e setores de churrasco (assado). Mesmo com aquele frio, vento e chuva, famílias se reuniam bem contentinhas em torno das churrasqueiras públicas!

Que tal usar o motor do carro para esquentar a àgua para o mate?

Quem acampa no fim do mundo, gente? É muita coragem!

Dali, o guia nos deixou no Centro de visitantes Alakush, onde funciona uma confeitaria e um pequeno museu de mostra étnica e da fauna e flora local. Bem interessante! Há também um mirante, mas nesse momento a chuva desabou lá fora e não deu pra ver muito.


Empanadas e chocolate quente 

Há também uma lojinha de produtos locais e temáticos


O museu fica no andar superior e a lanchonete no térreo
O que eu mais gostei do museu foi de conhecer a história do povo Yamaná, que viviam nessa área totalmente nus! Aliás, o nome "terra do fogo" foi dado por navegadores que viam as fogueiras feitas por eles e, certamente, acreditavam ser alguma forma espontânea de combustão, e não que havia realmente um povo que vivesse em condições tão adversas de temperatura. Charles Darwin chegou a compará-los a algum 'elo perdido', por sua forma física diferenciada, com baixa estatura, pernas curtas (por deslocarem-se em canoas) e braços longos e musculosos (por remar e caçar).

Viviam em cabanas baixas e aqueciam-se passando no corpo o óleo tirado dos lobos marinhos que caçavam. Realmente, um milagre da adaptação humana! Após o contato com os homens civilizados, começaram a morrer de doenças para as quais não tinham imunidade e, obrigados a usar roupas e viver em casas, adoeciam com a sujeira, já que não sabiam limpar-se e aos objetos que passaram a usar.

E ainda eram bons artesãos!

Para finalizar, fomos para a estação do famoso Trem do fim do mundo, que levava os prisioneiros para cortar madeira na floresta. Eu realmente não tinha qualquer intenção de pagar 500 pesos por adulto e 100 para criança para andar um curto trajeto naquele trem tão lento, então não me chateei quando chegamos à estação depois das 17h30, quando até a lojinha já estava fechada e o trem já manobrava para ser estacionado.


Mais lupinos!


Polícia e ladrão!



Ao sairmos do parque, o motorista fez um pequeno city tour e, aproveitando que o tempo estava abrindo, nos levou para tirar fotos na área do porto.




 De volta ao hotel, fizemos um lanche e dormimos cedo, pois tínhamos passeio na manhã seguinte.

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