Nessa manhã eu sabia que acordaríamos tarde, por conta do tour astronômico do dia anterior, mas a questão da sinusite nos fez passar da hora! Tínha me programado para visitar dois sítios arqueológicos próximos, Pukará de Quitor e Aldeia de Tulor, mas dado o atraso, acabamos indo apenas em Pukará.
Pukará de Quitor foi uma fortaleza construída para defesa das diversas comunidades que viviam espalhadas pelo Atacama. Não era uma área de moradia, mas de fuga e proteção. Sempre me impressiona imaginar que comunidades se formassem em locais tão inóspitos e com tão poucos recursos naturais, por isso gosto tanto de visitar esses sítios.
A subsistência desses povos se dava através do pastoreio de lhamas, da coleta de chañar e algarrobo (dois vegetais dos quais tudo se aproveita naquela área), já que a única agricultura possível, mesmo assim em pequenas proporções, era a de milho.
Nessa área desce um rio oriundo dos Andes, o San Pedro e, por isso, era uma área habitável.
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| Na base do morro compra-se a entrada nesta construção |
Pukará fica bem perto de San Pedro e vimos pessoas chegando em excursões a cavalo ou mesmo de bicicleta (há um estacionamento para elas no local).
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| Há 3 percursos: o das ruínas (amarelo), o do mirador (verde) e o da caverna (vermelho) |
A Fortaleza se localiza num morro bastante alto, distribuindo-se em ladeiras por cerca de 24 mil metros quadrados, de maneira 'serpenteante' pelo relevo. E foi bem eficaz na proteção desses povos desde cerca de 900 d.c.
Até dos espanhóis, os atacamenhos conseguiram se defender por cerca de 20 anos, o que foi um grande feito, tendo sobrevivido à expedição de Diego de Almagro, um dos mais famosos conquistadores, e que hoje dá nome a uma rede de hotéis no Chile, onde inclusive nos hospedamos em Santiago.
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| Pelo caminho há algumas placas contando a história do povo atacamenho |
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| Chegamos no auge do sol, e era muita coisa para subir! |
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| Não tem apoio para subir, essa cordinha só delimita o local de passagem |
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| Ainda há paredes bem formadas e que aguentaram através do tempo |
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| Enquanto o Rodrigo subia, eu ficava analisando as irregulares e interessantes formações das pedras |
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| Pedras totalmente fora de qualquer padrão encaixadas por mais de um milênio |
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| Até as janelinhas para defesa, típicas de castelos, se vê nessa fortaleza! |
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| Vista de uma das janelinhas |
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| Muros e vista |
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| Depois de visitar as ruínas, há o caminho do mirante que fica bem mais acima |
Eu não tinha a menor condição de subir até lá naquele sol de meio dia, mas o Rodrigo não teve preguiça!
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| E colocou sua pedrinha! |
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| Nessa área ainda existem alguns desses impressionantes arcos! |
Depois seguimos juntos para o último percurso, o da caverna.
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| Um alfarrobo, a árvore da qual tudo se aproveita! |
Também no caminho da caverna há arcos e esses impressionantes rostos esculpidos nas pedras! A caverna em si, todavia, não pareceu nada muito interessante, mas também não a exploramos muito.
Depois, exaustos do calor, voltamos para o hotel para descansar enquanto o sol ainda estava bem quente. Antes, passamos na lojinha de doces e salgados que ficava na rua do hostal para comprar nosso lanchinho de empanadas!
Quando o sol baixou, fomos para o Vale de la Muerte, ou de Marte, que também fica bem perto da cidade.
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| Entrada |
O Vale tem esses nomes por ser parecido com o terreno marciano e por ser tão árido, que não há vida que se desenvolva nele.
Sinceramente? Não achei grande coisa. Tem uma ou outra formação rochosa interessante, mas nada que justifique o valor da entrada... Mas, enfim, gosto é gosto!
A ordem é só dirigir até a duna de sandboard, porque depois o terreno é muito arenoso e o carro pode atolar.
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Diferentemente das dunas brasileiras, que contam com corrimãos de apoio e,
muitas vezes, até elevadores, como em Natal, aqui os intrépidos esportistas tem que
subir à pé, com a prancha nas costas! |
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Daí em diante, temos esse singelo caminho arenoso para caminhar por uns
20 minutos até o mirante... |
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| Encarar a subida ou não, eis a questão! |
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| Daí pra frente é só isso o que se vê até chegar ao topo |
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| Se você não for levado por um redemoinho de areia (que aparecem de vez em quando), essa é a visão que terá depois de algum esforço! |
Dizem que o pôr do sol é bonito de se ver desses mirantes, mas não ficamos animados para esperar tanto, até porque a fome já estava batendo.
Voltamos ao restaurante da Praça e eu provei um bife ao molho de sementes de algarrobo, enquanto o Rodrigo ficou com um ceviche de camarões! Gostamos muito!
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| Acabamos curtindo o pôr do sol na cidade mesmo! |
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