Novos desafios se apresentavam, como a viagem de avião e a alimentação, mas estávamos bastante confiantes. Afinal, seria uma viagem curta, de apenas 3 dias.
Só que estávamos no auge da 'fase das viroses e doencinhas', desde que ele tinha entrado para a creche, e não escapamos ilesos dessa vez.
Entretê-lo no avião, claro, não foi tarefa fácil. Estouramos saquinhos de vômito, deixamos ele explorar o ambiente, abrir e fechar janelinhas e o que mais conseguíssemos encontrar para distraí-lo. Com a chupetinha durante a decolagem para não ter pressão nos ouvidinhos e mamadeiras, biscoitinhos e brinquedinhos reservas, conseguimos chegar bem ao nosso destino.
Só que, mãe inexperiente, deixei de levar uma roupinha extra na bagagem de mão... e ao chegar no aeroporto, tivemos um jato forte de vômito. Seria do vôo? Seria da diferença de temperatura? Seria (ó céus, não) prenúncio de virose? Enfim, chegadas as malas, limpamos e o trocamos, seguindo viagem de táxi (torcendo para o evento não se repetir ali).
Chegamos no hotel ilesos e o menino parecia realmente ótimo.
O hotel escolhido foi o Tropical Tambaú. O maior e, supostamente, melhor hotel da cidade. Pelas minhas pesquisas de internet na época, o único com alguma estrutura para crianças e bebês. Tinha uma linda área com brinquedos e recreadoras, parquinho externo, piscina infantil, redário e restaurante com serviço de quarto, em cujo cardápio se viam várias opções de sopinhas e comidinhas que poderíamos oferecer ao nosso filho. Além disso era muito bem localizado, praticamente dentro da praia de Tambaú e com uma interessante arquitetura arredondada.
O problema era o quarto. Pareciam dois mundos diferentes! Dentro do quarto nos sentíamos encarcerados, cercados de mofo e formigas, decoração (?) decadente, serviço de quarto absurdamente deficiente e lençóis vagabundos e mal limpos, apesar da bela vista para o mar.
Mas não fui enganada. Essas informações eu já tinha lido em todo lado. A opção foi consciente pela área comum do hotel e a localização, que realmente não deixava a desejar. Havia também a esperança de sermos agraciados com um quarto reformado (o hotel informava que estava reformando os quartos aos poucos), mas não tivemos essa sorte.
Enfim, apesar de estar chuviscando, meu marido logo levou nosso filho para a piscina. Mãe neurótica que sou, tremi, mas era viagem, estava bastante quente na cidade e tínhamos que aproveitar...
Na piscina do hotel Tambaú
Depois de aproveitar um pouco do hotel e sua área infantil, seguimos para um pequeno centro comercial que fica em frente a ele, onde eram vendidas várias comidas típicas. Marido quis provar um rubacão com açaí e eu aproveitei para oferecer o açaí ao Enzo, pois era algo que ele já tinha comido com o pai em lanchonetes do Rio, mas ele não aceitou.
Enfim, aí começou minha luta de oferecer coisas para ele comer e ele não aceitar. O pai, como sempre, dizendo que não era nada, devia ser emoção da viagem e que logo ele voltaria ao normal. Mas meu coração já estava apertado.
Após esse almoço, seguimos para a casa do vovô, em Cabo Branco e, de lá, para o shopping Manaíra, que tinha um excelente espaço para crianças, com ótimos recreadores, muitos brinquedos para todas as idades, incluindo um trenzinho que andava pelo teto e teatrinho de fantoches. Enzo e seu tio (de 3 anos!) amaram o passeio!
Á noite, ainda passamos pela feirinha de artesanato de Tambaú e e fomos a um restaurante chamado Espanhola, onde comemos muito bem e com música ao vivo. Enzo apenas aceitava a mamadeira e mesmo assim, sem muita vontade.
No segundo dia de viagem acordamos cedo e seguimos com a família do vovô para o Parque Zoobotânico Arruda Câmara. O parque fica um pouco longe da cidade e é necessário alugar um táxi que fique nos esperando terminar o passeio, de outra forma ficaria um tanto difícil sair de lá.
A conservação do lugar era meio fraquinha, também não havia muitos animais para ver, mas, perto de um lago, havia pedalinhos, pôneis e um trenzinho para passeio, o que acabou compensando.
Voltamos para o hotel para uma tarde na piscina e, à noite, saímos pela orla para um passeio. Ventava bastante e foi difícil encontrar um restaurante protegido do vento. Eu, que já estava ficando pra lá de neurótica com a alimentação do Enzo, comecei a senti-lo meio molinho. No restaurante constatei que já estava com febre.
Voltamos para o hotel e o colocamos para dormir. Eu passei toda a noite aferindo a febre e esperando que pedisse pela mamadeira, o que não acontecia... Tentei até forçá-la durante o sono, mas ele não aceitou. Já eram quase nove da manhã quando eu vi que a febre já beirava os 40 graus.
Pânico.
Acordei meu marido, que dormia até então, com toda a sua tranquilidade. Claro que duvidou que a febre estivesse alta como eu dizia, mas o termômetro não mentia. Enzo mal conseguia abrir os olhos. Eu liguei para a Unimed e descobri que tinham um hospital do outro lado da cidade, para onde fomos o mais rápido possível. Lá fomos bem atendidos e ele foi diagnosticado com muito pus na garganta e secreção na face. Entrou pela primeira vez na vida no antibiótico e ainda tivemos que colocar um remedinho no ouvido para que a secreção não produzisse dor com a pressão do vôo.
Na volta, não houve trabalho para entretê-lo, já que ficou sempre deitadinho e bem caidinho. Peninha. E muita culpa no coração dessa mãe por não ter lido melhor os sintomas antes, ter deixado ele se alimentar tão mal, ter deixado ir na piscina com chuva, etc.
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