Dizem que junto da criança nasce a culpa. E que a mãe a carrega sempre e por toda a vida.
Sei não...
Não sinto nenhuma culpa.
Não sou a melhor mãe do mundo, mas sou a melhor mãe que posso ser. E acho que meu filho está bem servido, pq estou longe de ser a pior também.
Desde antes da concepção, decidimos que ele ficaria em creche. Não tínhamos confiança nem apreço pela idéia de criança fechada em casa com babá o dia inteiro. Muito menos ainda pela idéia de babá saracoteando com criança num bairro movimentado como o nosso!
Quando o Enzo nasceu, contratei uma babá. Ela ajudava com a roupinha dele, na limpeza das coisinhas dele, fazia papinhas, ajudava a acalmá-lo durante as cólicas, etc. Mas, principalmente, ela dividia comigo a tarefa de entreter um bebê muito ativo durante o dia todo.
Enzo nunca foi de ficar deitado no berço. Se não tinha nada para entretê-lo, chorava bastante. Se o móbile parasse de tocar, ele já acionava sua sirene! Seu local favorito era o trocador, que ficava bem abaixo da janela. Dali, ele via as janelas vizinhas, o céu, o sapo preso no vidro. E a babá ficava ao seu lado, para ele não rolar e cair... Ou então ficava num canguru ou sling, passeando conosco pela casa e, não raro, forçando a cabecinha e as perninhas da direção da porta da rua!
Com 8 meses foi para a creche. E a babá passou a revezar as noites comigo, já que voltando a trabalhar, não era mais humanamente possível acordar 4 a 6 vezes por noite para dar mamadeira.
Conhecendo a personalidade do nosso filho, a idéia da creche se fortaleceu, pois nem a babá aguentaria o tranco com ele em casa direto! E ele demonstrava gostar do berçário, se jogava lá dentro! Lá aprendeu a dormir com mais facilidade, a comer alimentos com pedacinhos (coisa que eu morria de medo de ensinar), teve estímulos musicais e psicomotores.
Ficava lá cerca de 9 horas por dia e estava sempre feliz e satisfeito. E eu não tinha culpa.
Claro que o lado b da creche eram as viroses. Em profusão. Recorrentes. Nesse momento senti um pouco de culpa sim. Mas ainda achava que era a melhor opção para ele. E, um dia, as viroses melhoraram. E a culpa passou.
Quando entrou pro maternal ele já não parecia tão contente. A sala diminuiu, as regras aumentaram. As viroses faziam ele ficar em casa quase semana sim, semana não, então ele não conseguia se adaptar. Ele chorava para ficar. Aí eu tive dúvidas se era mesmo o melhor para ele que estávamos fazendo.
Então, num dia em que ele tinha chorado todo o caminho, encontrei outra mãe, que me viu devastada, e ela me disse que, se eu tinha confiança na escola e na minha escolha, que não me rendesse à chantagem, pq o filho dela tinha feito o mesmo e, passada essa fase, ele adorava a escola.
Assim, eu diminuí um pouco o horário dele, que já começava a entender o tempo que ficava lá. Passamos a chegar às 10h e sair às 17:30. Nesse período, ele dormia a soneca, tomava banho, comia 3 refeições, então, não havia como ficar tão entediado. Além disso, era a melhor e mais cara creche-escola do bairro! E ficar em casa vendo tv não era uma opção melhor.
A fase ruim passou. Hoje ele vai animadamente para a escola. Tem outras atividades como inglês, capoeira e natação. Não fica quase doente, enquanto as crianças que entraram para a escola com 3 anos estão sofrendo com viroses sucessivas, quase como ele no primeiro ano.
A babá fica com ele 3 noites por semana e sábados. Nesses dias, eu descanso, pq o Enzo não brinca sozinho, exige presença constante e dedicação. Revezamos, então. Ele fica feliz e nós também.
Eu estou sempre perto. Levo e busco na escola, festas ou quaisquer eventos, dou os remédios, levo aos médicos, coordeno o cardápio, verifico e compro roupas, dvds e brinquedos, ajudo com o dever de casa. Então, não sinto culpa por ver um programa adulto na tv, ter uma conversa com meu marido, ficar no computador com minhas amigas e dormir 8 horas seguidas nas minhas "noites de folga". Nem tenho culpa por ter "noites de folga". Nem vejo nenhum rancor ou carência no Enzo por conta disso, vez que a babá dele é ótima e se dão incrivelmente bem.
Só uma coisa me daria culpa. Com isso não soube lidar e preferi evitar. Não consegui viajar sem ele. Nunca. Passamos apenas uma noite separados, quando meu marido fez uma cirurgia e Enzo tinha 3 meses. De resto, sempre estamos ao alcance um do outro em poucos minutos.
Sem culpa.
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